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Gal Costa sai de cena aos 77 anos e deixa sua marca na Música Popular Brasileira

A morte da cantora Gal Costa entristeceu o Brasil, dia 9 de novembro. Considerada uma das maiores intérpretes da Música Popular Brasileira, sua partida deixa uma lacuna insubstituível, e como afirmou Maria Bethânia, a dor é imensa e sua voz magistral. Com seus agudos e tons melodiosos,  Gal embalou toda uma geração por 57 anos e foi a voz de momentos especiais na vida de muitos,  nos 44 discos que gravou.

O corpo da cantora será velado nesta sexta-feira,11,no Hall Monumental da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na Zona Sul da capital paulista, das 9h às 15h. A cerimônia é aberta ao público. O enterro será exclusivo para amigos próximos e familiares.

Morte

Gal morreu aos 77 anos, em São Paulo, na quarta-feira,9. Ela havia cancelado alguns shows, após passar por uma cirurgia para retirar um nódulo na fossa nasal direita. Fato gerou comoção nacional e repercutiu na imprensa nacional e internacional.

De Salvador para o mundo 

Maria da Graça Costa Penna Burgos nasceu em 26 de setembro de 1945 em Salvador e foi a voz cristalina, de timbre tão belo quanto inigualável de clássicos da MPB como “Baby”, “Meu nome é Gal”, “Chuva de Prata”, “Meu bem, meu mal”, “Pérola Negra”, “Barato total” e tantos outros. Seus maiores sucessos foram  “Um dia de domingo”, “Chuva de prata” e “Sorte”.  Fez carreira no Brasil e no exterior, com público cativo em especial em Portugal e Japão.

57 anos de carreira e sempre buscou novos compositores 

Foram 57 anos de carreira, iniciada em 1965, desde que a cantora subiu ao palco e interpretou músicas inéditas de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Ainda se chamava Maria da Graça quando lançou “Eu vim da Bahia”, samba de Gil sobre a origem da cantora e do compositor.

A partir daí, se consagrou como a voz mais linda do país e cravou sua marca com canções icônicas da MPB. Musa do Tropicalismo, deu ao movimento sua cara mais doce, suave e feminina, ao lado de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Dessa época, o hino “Divino maravilhoso” (de Gil e Caetano) foi um hino na voz aguda e afinada da intérprete.

Gravou mais de 40 álbuns entre discos de estúdio e ao vivo. “Fa-tal”, “Índia” e “Profana” foram três dos principais, com arrebatador sucesso de público e crítica.

Coragem e inovação 

Teve predileção por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Jobim, Chico Buarque, Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Ary Barroso, Djavan, Erasmo Carlos e Jorge Benjor.  Mas, uma das suas marcas foi a inquietação artística e buscou novos compositores para sua voz e talento. Trouxe para a luz nomes à época, desconhecidos do grande público, a exemplo de  Chico Cesar, Zé Cabaleiro, Arthur Nogueira, Céu, Criolo e Mallu Magalhães, entre outros.  “Na música, a gente tem de ser democrático, ainda mais neste momento. Tem música boa em todos os cantos. A gente não pode ser elitista nem radical”, dizia.

Agora, seu canto ecoa com força e graça na mineira de fãs, artistas e entra para o hall da fama imortal.

Discografia completa 

Domingo (1967)

Tropicália ou Panis et Circensis (1968)

Gal Costa (1969)
Gal (1969)

LeGal (1970)
Fa-tal – Gal a todo vapor (1971)

Índia (1973)
Cantar (1974)

Doces Bárbaros (1977)

Água viva (1978)
Gal tropical (1979)

Fantasia (1981)
Minha voz (1982)
Baby Gal (1983)
Profana (1984)
Bem bom (1985)
Lua de mel como o diabo gosta (1987)

Rio revisited (1987)
Gal (1992)
O sorriso do gato de Alice (1994)

Mina d’água do meu canto (1995)

Aquele frevo axé (1998)
Gal Costa canta Tom Jobim ao vivo (1999)

Gal de tantos amores (2001)

Gal bossa tropical (2002)
Todas as coisas e eu (2003)
Hoje (2005)

Gal Costa ao vivo (2006)
Live at the Blue Note (2007)
Recanto (2011)

Recanto ao vivo (2013)
Live in London ’71 (2014)

Estratosférica (2015)

Estratosférica ao vivo ( 2019)

A pele do futuro ao vivo (2020)
Nenhuma dor (2021)

POR: Rita Moraes
Publicado em 11/11/2022