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“Fado Bicha” se apresenta no Brasil dia 7 de julho nas cidades do Rio, São Paulo e Brasília

O grupo Fado Bicha chega ao Brasil no dia 7 de julho para shows no Rio, São Paulo e Brasília. Depois, parte para Nova York, onde participa do festival SummerStage, no Central Park, abrindo o concerto de Ney Matogrosso. Depois disso, a agenda da dupla está em aberto. 

A dupla formada pelo cantor e compositor Tiago Lila e pelo violonista João Caçador vem fazendo sucesso e angariando fãs em várias partes do mundo. 

A proposta é dar uma versão homossexual as letras do Fado, cuja maior interprete foi Amália Rodrigues. 

 “Nem às paredes confesso”, gravada em 1957 por Amália fala de um amor proibido de uma mulher por um homem, mas na versão do Fado Bicha, a canção ganha outras tonalidades. 

De igual intensidade e rompante emocional, “nem às Paredes confesso” fala de dois homens à beira do Tejo, que se encontram para tomar café e falar de amor. Um deles tem uma namorada. O outro gosta de homens. O hétero manda-lhe nudes, diz que está no Grindr, o Tinder preferido dos gays, “só para experimentar”, porque de quem ele gosta mesmo “é da minha namorada”.

A  “Crónica do Maxo Discreto”, canção composta pelo  duo lisboeta vem colecionado boas críticas e acumulado fãs por onde se apresenta.

Formado pelo violonista João Caçador e o cantor e compositor Tiago Lila, que se apresenta como Lila Fadista,  eles se identificam artisticamente como bichas e se intitulam no feminino. 

Se no fado tradicional português, as canções estão no imaginário com senhoras chorosas de xale ou homens de terno apertado e um lenço na mão, Lila e Caçador usam e abusam de maquiagem e estão montados com botas, vestidos, casacos, turbantes, luvas, chapéus —, super produzidos, valorizados ainda mais por uma iluminação dramática e intimista no palco.

O grupo canta a angústia e a solidão de se descobrir gay ainda criança, bem como a encruzilhada de um heteronormativo que não admite sua ambiguidade sexual, ou a história verídica de um bailarino homossexual que passou a vida em um hospital psiquiátrico.

Eles já ser apresentaram na França — Paris, Marselha, Nice e a recepção do público surpreendeu. Tocaram em um festival de fados no Centquatre, que teve também a presença de duas iminências portuguesas: os fadistas Mariza e António Zambujo. “Nunca seríamos chamados para tocar com eles aqui em Portugal. Aqui ainda somos gueto, somos a coisa exótica”, comenta Lila.

Para eles, a cena fadística portuguesa ainda é conservadora e óbvia. “Quem vai aos fados aqui espera ter na mesa um chouriço assado”, completou. Nunca foram convidados para o maior festival de fados de Lisboa — o da Santa Casa de Alfama.

Visita pela primeira vez ao Brasil

Em 2019, viajaram para o Brasil sem concertos agendados para ver “no que dava”. E deu. Apresentaram-se em lugares pequenos, mas lotados e acabaram numa festa na casa do cantor e compositor Caetano Veloso. “Estavam lá a Fernanda Montenegro, o Seu Jorge, o Milton Nascimento, Gilberto Gil, a Anitta, a Xuxa, todo mundo que eu vi ao longo da minha infância e adolescência. Foi muito louco”, comentou Lila. A experiência foi uma injeção de energia e um sopro de ar fresco para insistir na carreira além-mar.

Mais informações:

www.fadobicha.com

@fadobicha

 

 

POR: Rita Moraes
Publicado em 25/06/2022