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Dois anos após desastre, Repsol enfrenta processo bilionário por derramamento de óleo no Peru

2HG5CR8 A worker walks following an oil spill caused by abnormal waves, triggered by a massive underwater volcanic eruption half a world away in Tonga, at the Peruvian beach in Ventanilla, Peru, 18 January 2022. REUTERS/Pilar Olivares

 

 

Após dois anos do derramamento de cerca de 12 mil barris de petróleo da refinaria La Pampilla, no mar do Peru, a petroleira espanhola Repsol vai responder a processo bilionário movido por cerca mais de 34 mil vítimas. O caso será julgado no Tribunal de Haia, na Holanda – país sede da Repsol Peru e as indenizações estão avaliadas em R$ 6,22 bilhões.

As vítimas são representadas pelo escritório internacional especializado em litígios coletivos Pogust Goodhead, que também defende 700 mil atingidos pelo rompimento da barragem de Mariana (MG) em ação na Inglaterra contra a BHP e a Vale, além de atuar no caso de Brumadinho e no dos afundamentos de bairros causados pela Braskem em Maceió (AL).

 

O vazamento ocorrido na refinaria em 2022, gerido pela Repsol desde 1996, foi caracterizado como a mais grave catástrofe ambiental na história da capital peruana. A contaminação afetou cerca de 106 quilômetros quadrados, cobrindo 25 praias com manchas pretas e matando milhares de aves e peixes, que ficaram cobertos e sufocados pelo petróleo.

 

“Estamos falando de pescadores, vendedores, pessoas que perderam o sustento numa realidade socioeconômica onde não há empregos disponíveis. Muitos deles vieram de gerações e gerações de pescadores e, agora, todo o seu modo de vida foi devastado”, explica o CEO do Pogust Goodhead, Tom Goodhead.

 

Ainda em janeiro, está prevista uma audiência de jurisdição nos tribunais holandeses, seguida de uma decisão. “A Repsol é uma empresa que diz ter uma reputação valiosa, que se preocupa com o ambiente e promove projetos sociais, mas a realidade é que seu comportamento é completamente contraditório. Este é o pior desastre ambiental do Peru em muito tempo e garantiremos que as vozes das vítimas sejam ouvidas”, completa Goodhead.

POR: Rita Moraes
Publicado em 15/01/2024