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Ator argelino morre horas antes de exibir seu filme no Festival de Cannes,

O ator argelino Ahmed Benaissa morreu aos 78 anos nesta sexta-feira, horas antes de seu último filme, “Sons of Ramses”, ser exibido no Festival de Cannes. A informação foi confirmada pelo Ministério da Cultura da Argélia.

O ator enfrentava uma doença prolongada. A distribuidora do filme no mercado internacional, a MK2 Films, afirmou por meio de uma publicação no Twitter que a exibição do longa em Cannes desta noite será dedicada a Benaissa. Ele interpreta um papel importante na trama, como o pai de Ramses.

“Estou profundamente triste pela morte repentina de Ahmed Benaissa. O filme não existiria sem ele, e palavras não conseguem expressar nossa dor ao exibir o filme em Cannes hoje”, declarou em nota à imprensa Clement Cogitore, diretor de “Sons of Ramses”.

Nascido na Argélia em 1944, ele se mudou para Paris, na França, onde estudou na Escola Nacional de Teatro. Tendo feito diversos filmes e peças teatrais ao longo da carreira, Benaissa começou no cinema com “Étoile aux Dents ou Poulou le Magnifique”, dirigido por Derri Berkani e lançado em 1971. Posteriormente ainda viria a atuar em filmes como “Inimigos Íntimos”, indicado ao Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2018.

“A cena da arte perdeu um dos seus representantes proeminentes. Ele deixa para trás um legado teatral e cinematográfico artístico”, escreveu o ministro da Cultura da Argélia, Sourieh Molougi, em homenagem ao artista.

“Ficamos cientes da morte repentina de Ahmed Benaissa. Todos os nossos pêsames à sua família e amados”, afirmaram em nota conjunta as produtoras e distribuidoras MK2 , Kazak e Diaphana, responsáveis por “Sons of Ramses” em Cannes.

Carreira

Ahmed Benaissa nasceu na Argélia em uma família que teve nove filhos. Seu pai era um ativista que chegou a ser preso e encarcerado durante o período colonial na Argélia, sendo libertado após a independência do país. Ao crescer, mudou-se para Paris, vivendo por quase 18 anos na França. Durante este período, recebeu formação na Escola Nacional de Teatro e iniciou a carreira de ator.

Ele tinha no currículo dezenas de filmes e peças de teatro. Sua trajetória nas telas começou em 1971 e rendeu clássicos do cinema argelino, como “Buamama” (1980) e “Le Clandestin” (1989), ambos dirigidos por Benamar Bakhti.

Mais recentemente, ele participou de “Meu Coronel” (2006), escrito pelo mestre grego Costa Gavras, o sucesso “Fora da Lei” (2010), de Rachid Bouchareb, indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, e “Papicha” (2019), de Mounia Meddour, que venceu o César de Melhor Filme de Estreia.

POR: Rita Moraes
Publicado em 21/05/2022