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A Mitomania escondida no 1º de Abril

A mentira está enraizada na relação humana, já nos tempos de Moisés, ela dava muito trabalho. No antigo testamento, o “não mentir”, estava entre os mandamentos de proibição, indicados pelo próprio Deus. É uma saída que ampara desculpas cotidianas, mas também de maiores consequências, o que muitas vezes, coloca até vidas em perigo. Na verdade, a mentira aponta uma fonte que varia do zelo, em adoção de palavras que suavizam realidades difíceis, a graus de debilidade de caráter. Pessoas que enganam para usufruir benefícios, em detrimento de outras. Segundo o psiquiatra Ilton Castro, há ainda o caso dos mitomaníacos, os mentirosos compulsivos. 

 

“No jogo social, é normal mentir ou omitir alguma coisa, mas existem casos considerados sérios. A mentira aparece como um hábito. O mitomaníaco mente e acredita no que diz. A fantasia vira realidade e ganha enredos intermináveis. A mentira cresce”. Explica o psiquiatra.

 

Muitas vezes essas mentiras são contadas como uma forma de autoproteção e sugerem quadros de doenças psicológicas, como transtorno de personalidade.  

 

“Os efeitos são nocivos para quem ouve a mentira, mas principalmente para quem a produz. A pessoa fica desacreditada, perde a credibilidade e quebra relações de confiança. Se coloca cada vez mais à margem, uma vez que ela mesma acaba criando este distanciamento”. Comenta o psiquiatra. 

A mitomania reúne alguns sinais que podem ser observados, entre eles, ausência de culpa ou medo de ser pego; sentimentos fortes de tristeza ou felicidade; estórias grandes demais, cheias de detalhes e sem motivo aparente. Diversas versões para uma mesma situação, entre outros. 

Do ponto de vista de quem convive com o mentiroso compulsivo, é muito difícil manter a relação, em alguns casos, o distanciamento é inevitável. Mas para casos em que não existe esta possibilidade, como ciclos familiares, por exemplo, de um modo geral, a orientação é não confrontar. 

“Uma vez identificado o perfil do mentiroso, o ideal é não contrariar. Porque a pessoa já acredita na própria invenção, e nada do que digam vai alterar esta fantasia. Esta pessoa vai precisar de um tratamento específico para se libertar deste comportamento”. Afirma o psiquiatra Ilton Castro.

Ilton Castro é formado pela Faculdade de Medicina do Vale do Aço (MG). Cursou psiquiatria no Hospital Naval Marcílio Dias. Tem especialização em idosos e medicina do sono. Atua em Macaé, Rio das Ostras e todo o Brasil por atendimento online.

POR: Rita Moraes
Publicado em 02/04/2022