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Quatro tiros pela culatra, artigo do jornalista Alex Ferraz

Tenho visto nas tais redes sociais opiniões as mais diversas sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada com quatro tiros no centro do Rio de Janeiro.

A direita radical faz questão de tentar marginalizar a vereadora, afirmando que ela era “cúmplice de marginais” e coisas que tais, enquanto parte da esquerda parece até sofrer de uma dor de cotovelo macabra pelo fato d o PSOL ter tido a “oportunidade” de ter sua mártir.

Baboseiras. Coisas que refletem o quanto pode ser medíocre e preconceituoso o pensamento da grande maioria dos 207 milhões de brasileiros, aqueles que têm acesso às redes sociais.

Isso me faz lembrar o que disse Einstein, sete décadas atrás: “Quando a tecnologia dominar as relações humanas,  teremos uma geração de idiotas.”

Talvez o grande cientista tenha sido relativamente radical. E quem ponderou isso, uns dois anos antes de morrer, numa entrevista, foi o escritor e pensador Umberto Eco. Em outras palavras, ele disse que Einstein não quis dizer que a tecnologia nas relações humanas tornaria as pessoas idiotas, mas sim que a facilidade de acesso à comunicação global (algo irreversível, e, claro, altamente democrático) REVELARIA a grande quantidade de, por assim dizer, tolos que compõem os sete bilhões de habitantes deste planeta doido.

Bem, considerações à parte sobre a Marielle em si, como pessoa, devemos raciocinar que o assassinato de uma política, em pleno mandato, no centro da cidade mais violenta do País e no momento em que as Forças Armadas ensaiam ter algum controle sobre o crime organizado, é algo de um poder explosivo considerável.

Como sempre acontece, a grande mídia demorou para entender a repercussão do fato e somente após centenas e milhares de manifestantes irem às ruas, em todo o Brasil, pessoas dos mais diversos matizes políticos (e convenhamos, com todo respeito, que o PSOL não tem esse poder todo de mobilização), foi que acordaram para a importância política do fato.

Ora, mesmo que tenhamos uma apuração exemplar, mesmo que os culpados pela execução sejam identificados e presos (e olha que pode ter muita gente “grande” aí), o fato definitivamente detonou o barril de pólvora em que está transformada toda a sociedade brasileira, que, década após década, só tem visto o crime organizado frutificar, acuando os cidadãos dentro de suas casas.

Portanto, é possível que as quatro balas que puseram fim à vida de uma jovem competente, bem formada e altamente combativa, tenham saído pela culatra. E venham a vitimar aqueles que durante décadas mantêm-se atrás das cortinas, fingindo combater o crime organizado, mas não raro se beneficiando dele. Quem sobreviver, verá!

Artigo do jornalista Alex Ferraz

POR: Rita Moraes
Publicado em 16/03/2018