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Mercado de Luxo cresce, apesar da crise no Brasil

O Brasil vive uma crise séria e um momento econômico instável. Essa realidade afeta todos os segmentos da economia, mas o mercado de luxo segue apresentando crescimento.  O setor de Turismo e Gastronomia, por exemplo, deve apresentar um crescimento de 2,5% em 2018 e até 2022 este número será de 10% de acordo com estudo da Euromonitor, centro de pesquisa internacional, com representação no Brasil (SP). O consumidor de luxo aposta também em vestuário, vinhos, champanhe e destilados) e carros.

A expectativa positiva para o mercado de luxo para os próximos anos, deve compensar a queda de 8,5% nesse setor em 2017, que fez com que o Brasil caísse duas posições no ranking global e ficasse na 22ª posição.

Lava Jato

A Lava Jato impactou fortemente nas vendas de itens de luxo, entre os mais ricos, que parecem incólumes e não viram sua renda impactada pela situação grave econômica, que o país atravessa. Ao contrário, 1% mais ricos concentram 28% de toda a riqueza nacional, segundo dados do IBGE – Instituto de Geografia e Estatística, divulgados em dezembro de 2017. O que se viu foi apenas uma retração temporária. “O que se vê é que existe um crescente número de consumidores de alto poder no Brasil, embora mais comedidos e menos ostensivos”. É o que afirma, Elton Mormitsu,  analista sênior de pesquisa da Euromonitor: 

Ricos, ainda mais ricos

A concentração de renda de quem está no topo da pirâmide cresceu no Brasil num período de 15 anos. A população 1% mais rica detinha, em 2015, 28% de toda a riqueza obtida no país, mostrou um relatório sobre a desigualdade no mundo divulgado nesta quinta-feira (14). Em 2001, essa participação era de 25%. Esses dados fazem parte de um documento assinado por um time de pesquisadores, entre eles o aclamado autor do livro “O Capital no Século XXI”, Thomas Piketty, especialista em estudos sobre desigualdade de renda. Enquanto os 50% mais pobres do Brasil eram mais de 71 milhões de pessoas em 2015, os 1% mais favorecidos somavam 1,4 milhão de pessoas. O estudo também aponta que os 10% mais ricos elevaram sua riqueza de 54% para 55% neste mesmo período.

O perfil do consumidor de luxo

Segundo Manu Berger, especialista em mercado de luxo, o consumidor no Brasil dá preferência ao atendimento personalizado e a proximidade com os vendedores. “O cliente muitas vezes troca número no WhatsApp com o vendedor, recebe produtos em casa, e isso cria um relacionamento além da marca, um atendimento personalizado”, conta.

Em 2017, os produtos de luxo mais adquiridos foram carros e vestuários, e a expectativa é que até 2022 o cenário não mude.

O dólar alto, a possibilidade de parcelamento e as regras de compra e bagagem na alfândega também impulsionam as compras de luxo feitas no Brasil, em detrimento de compras no exterior.

Mercado de luxo e o E-commerce

A última edição do estudo intitulado Luxury Study, da Bain & Company (dez/2017), mostrou que o varejo de luxo em lojas físicas cresceu 8%, enquanto que as lojas online cresceram 24% no mesmo período. Isso mostra como o segmento pode ser melhor aproveitado pelas empresas.

Muitas marcas de luxo ainda mostram resistência em estar presente de internet, justamente pela ausência do ‘personalizado’. De acordo com Manu “O sensorial e a conversa com o vendedor são muito importantes para o mercado de luxo. São poucas marcas que têm canais próprios e, quando têm, não disponibilizam todos os produtos”. Além disso, o receio das falsificações também impede as marcas de mais forte no e-commerce.

Um ótimo exemplo de e-commerce que conseguiu acertar na estratégia é  a marca Farfetch, avaliada em 1 bilhão de dólares, a loja vende em seu site uma camiseta branca básica da marca francesa Saint Laurent a 3.920 reais. Um terno Dolce & Gabbana sai por 18.800 reais. Pode parecer muito, mas o preço não afugenta a clientela mais abastada. Só na Black Friday — importante data do varejo popular — a loja faturou 15 milhões de dólares.

Fundada e dirigida pelo português José Neves, em 2008, a Farfetch está presente em nove países e cresceu 70% nos últimos anos, encerrando o ano de 2016 com um faturamento de 800 milhões de dólares (informações de 2017 não foram encontradas). Para a marca, o Brasil apesar da crise, continua como importante mercado. “O Brasil é um dos nossos cinco maiores mercados e continuamos a crescer três dígitos aqui. O nosso consumidor, apesar de ter sido afetado pela crise, não foi tão afetado como a classe média”, afirma o CEO.

Entre alguns itens e marcas mais desejadas pelo público, estão: Calvin Klein (vestuário), Veuve Clicquot (vinhos, champanhe e destilados) e Mercedes-Benz (carro).

 

 

 

POR: Rita Moraes
Publicado em 17/05/2018