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Diante da tragédia iminente em Maceió, Braskem cancela participação na COP28

 

Diante do iminente desastre em Maceió, a Braskem cancelou, na segunda-feira, 4, sua participação na Conferência das Nações Unidas Sobre Mudança Climática (COP-28). A empresa é proprietária da Mina de exploração de Sal-gema, responsável pelo aparecimento de buracos, destruição de residências e do abandono de imóveis de cerca de 60 mil famílias.

Apesar de a mina ficar localizada na região da Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange, vários outros bairros podem ser atingidos pelo afundamento do solo. Segundo a Defesa Civil municipal, cinco bairros estão na região de risco: além de Mutange, os bairros de Pinheiro, Bebedouro, Bom Parto e Farol são atingidos pelo problema.

A qualquer momento uma cratera de até 300 diâmetros pode acontecer, segundo a Defesa Civil do Estado.

 

“Nos últimos dias, diante do agravamento da crise de Maceió, a empresa achou melhor cancelar sua participação nos painéis para evitar que o assunto sobrepujasse quaisquer outras discussões técnicas, dificultando eventuais contribuições que a empresa pudesse oferecer”, diz o comunicado da Braskem sobre a conferência que ocorre em Dubai.

 

 

Ainda segundo a petroquímica, a “Braskem está acompanhando a COP e todas as discussões sobre mudanças climáticas, uma vez que tem metas de redução de emissões de gases de efeito estufa e de crescimento com produtos mais sustentáveis, entre eles bioprodutos e produtos com conteúdo reciclado.”

 

 

Monitoramento

Nesta segunda-feira, 4, a Defesa Civil de Maceió voltou a detectar um aumento de velocidade da abertura da mina 18, depois de uma sequência de dias em que se apontou a desaceleração no ritmo do afundamento do solo.

O último boletim divulgado pelo órgão indica que a velocidade, na noite da ultima segunda-feira, era de 0,26 cm por hora, um pequeno aumento em comparação ao registrado no período da manhã: 0,25 cm por hora. O deslocamento vertical acumulado da mina é de 1,80m.

Mina 18

A mina 18 é uma das 35 cavidades abertas pela Braskem para a exploração e extração de sal-gema, um cloreto de sódio utilizado para produzir soda cáustica e policloreto de vinila (PVC).

A empresa iniciou as suas atividades na cidade alagoana na década de 1970 e encerrou a extração do sal-gema em 2019. Um ano antes, em março de 2018, Maceió havia registrado tremores de terra, que provocaram rachaduras em ruas e paredes em cinco bairros. Mais de 55 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas naquele ano.

Por causa dessas rachaduras, as 35 minas abertas pela Braskem começaram a ser fechadas. A situação era considerada estável até a semana passada, quando na noite da última quarta-feira, 29, tremores voltaram a ser sentidos na região e mais de 20 famílias tiveram de ser retiradas de suas casas por decisão da Justiça.

A mina pode entrar em colapso a qualquer momento. Por esse motivo, a Defesa Civil de Maceió mantém o estado de alerta máximo. “Por precaução, a recomendação é clara: a população não deve transitar na área desocupada, enquanto medidas de controle e monitoramento são aplicadas para reduzir o perigo”, afirma o órgão.

 

 

POR: Rita Moraes
Publicado em 05/12/2023