ConexãoIn


Devastação por enchentes no Paquistão deixa rastro de 1.314 mortos

Desde o mês de junho, enchentes no Paquistão já mataram mais de 1.314 pessoas (e esse número cresce a cada dia)  e danificaram mais de 1 milhão de casas, segundo a Agência Nacional de Gerenciamento de Desastres do Paquistão. Isso foi gerado por chuvas capazes de transformar rios em grandes torrentes de água. De acordo com a Axios, a precipitação em agosto foi 470% maior que o normal.

O desastre, que chegou a impactar 33 das 240 milhões de pessoas que vivem no Paquistão, segundo a CNN, tem sido monitorado por satélites, que estão ajudando a compartilhar a situação com o resto do mundo.

As inundações atingiram cerca de 33 milhões de pessoas e já mataram pelo menos 1.314, incluindo 458 crianças, de acordo com a Agência Nacional de Gerenciamento de Desastres do Paquistão. Um número que pode aumentar à medida que equipes de resgate e de ajuda humanitária chegarem a mais áreas atingidas pelo desastre

Mudanças climáticas impactam Paquistão agora

As inundações no Paquistão, assim como as secas que estão ocorrendo por todo o norte da Europa, são mais consequências (ao menos em parte) das mudanças climáticas que vivemos na Terra, segundo cientistas.

António Guterres, o secretário geral das Nações Unidas, alertou o mundo a ver o desastre por essas lentes para que seja tomada a ação apropriada – em curto prazo, para ajudar o Paquistão, mas em longo prazo, para ajudar o mundo.

Fahad Saeed, cientista climático da Climate Analytics com sede em Islamabad, também afirmou à Axios que as inundações provavelmente foram agravadas pelas mudanças climáticas causadas pelo homem. Em 2010, inundações tinham acontecido também no país, mas com gravidade menor – por apenas três dias, e em uma região diferente.

“Vamos parar de sonambulismo em direção à destruição do nosso planeta pelas mudanças climáticas”, disse Guterres à CNN. E completou: “Hoje, é o Paquistão. Amanhã, poderá ser o seu país”.

Antes das enchentes, o Paquistão experimentou uma onda de calor mortal em março e abril, com temperaturas acima de 48,8 ºC. Mesmo sendo um dos países com menor contribuição para o aquecimento global, está sendo um dos que mais sofrem seus impactos.

Moradores resistem em abandonar suas casas já submersas pela água

No coração de KN Shah, as equipes de resgate da fundação paquistanesa Edhi prestaram socorro a cerca de 1,2 mil pessoas nos últimos cinco dias. Para levar ajuda, eles começam a navegar sob as águas nas primeiras horas do dia à procura de aldeias submersas, onde resgatam pessoas que ficaram isoladas ou levam água potável para aqueles que não querem deixar suas casas. Muitos se recusam a abandonar suas residências por medo de saques.

Homens enviam suas esposas e filhos para se abrigarem com parentes em áreas não inundadas ou em campos de emergência, mas ficam em suas residências para protegê-las dos roubos. Em KN Shah, pelo menos 200 homens se recusam a deixar suas casas. Eles se instalam sobre os telhados, apesar dos riscos de desabamento.

POR: Rita Moraes
Publicado em 08/09/2022