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Chacina de motoristas de aplicativo na Bahia: travesti é condenada a 63 anos de prisão

Um dos crimes mais chocantes que aconteceu em Salvador, Bahia,  foi o assassinato de 4 motoristas de aplicativo, ocorrido em dezembro de 2019.

Passados 3 anos e quase 4 meses,  a travesti Amanda Santos foi condenada a 63 anos e oito meses de prisão por envolvimento na chacina de Daniel Santos da Silva, Genivaldo da Silva Félix, Sávio da Silva Dias, e a tentativa de homicídio de um motorista, no dia 13 de dezembro de 2019, por volta das 4h, na localidade conhecida como “Paz e Vida” , na entrada do bairro Santo Inácio.

O júri popular foi comandado pela juíza Andrea Teixeira Lima Sarmento Netto, na ultima quarta-feira, 19, e durou mais de 10 horas. A promotora do caso foi Mirella Barros Conceição Brito e a ré  defendida pela Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA). Ao todo,  29 jurados foram os responsáveis pelo resultado do julgamento.

Amanda é o nome social da acusada. Inicialmente a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) a identificava pelo nome de registro que ainda é utilizado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Relembre o caso

Os mortos são:

  • 👉 Sávio da Silva Dias, de 23 anos;
  • 👉 Alisson Silva Damasceno, de 27 anos;
  • 👉 Daniel Santos da Silva, de 31 anos;
  • 👉 Genivaldo da Silva Félix, de 48 anos.

Os suspeitos são:

  • 👉 Jeferson Palmeira Soares Santos, conhecido como “Jel”: apontado como mandante do crime; ele foi encontrado morto dois dias depois do crime.
  • 👉 Antônio Carlos Santos de Carvalho, de 19 anos: apontado por envolvimento; ele morreu em confronto com a polícia no dia do crime
  • 👉 Marcos Moura de Jesus, de 30 anos: apontado por envolvimento; também morreu em confronto com a polícia no dia do crime
  • 👉 Amanda: apontada por envolvimento.

Crime

  • 👉 No local, foram encontrados os corpos dos quatro motoristas. Eles estavam enrolados em lonas de plástico.
  • 👉 No mesmo bairro, três carros que seriam dos motoristas foram localizados. Outro veículo foi achado no pedágio da cidade de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
  • 👉 Na tarde da sexta-feira, poucas horas após o crime, motoristas de aplicativos fizeram uma carreata  pelas ruas de Salvador

Investigações

Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, Amanda disse à polícia que o objetivo do frupo era roubar veículos das vítimas. Ela ajudou a acionar as vítimas, através dos aplicativos.

O depoimento dela contrariou a versão divulgada na época, de que os assassinatos teriam sido ordenados por um traficante, após motoristas por app negarem corrida à mãe dela.

“A hipótese de vingança foi descartada. Eles não queriam matar porque um motorista negou socorro a mãe de um deles. O objetivo era roubar dinheiro e os carros”, explicou o delegado Odair Carneiro, responsável pelo caso, na época.

O único sobrevivente

O único sobrevivente da chacina contou à Tv Bahia, que não conseguiu dormir após o crime pelo trauma.  Ele também relembrou como foi abordado pelos criminosos, disse que pediu para não ser morto e falou do momento em que foi torturado.

O motorista  conseguiu escapar dos criminosos depois que uma das vítimas, outro motorista por aplicativo, lutou com os suspeitos.

O motorista contou que saiu às 5h para abastecer o carro e começou a trabalhar. A primeira corrida foi no bairro de Pau da Lima, também na capital baiana. Em seguida ele foi para o bairro de Santo Inácio, onde foi abordado pelos criminosos.

O homem disse que quando chegou em um barraco, viu uma pessoa deitada, morta e outro rapaz amarrado nos pés e nas mãos. O homem disse que pediu para não morrer, e um dos criminosos perguntou se ele tinha dinheiro. Diante da negativa da vítima, o homem disse: “Então você vai morrer”.

A vítima resolveu perguntar a um homem, chamado de Coroa pelos comparsas, o motivo do crime.

“Irmão, por quê? Eu sempre trabalhei de Uber, não discrimino quem quer que seja. E teve o Coroa que me respondeu: “Mataram toda minha família e eu vou matar vocês. A todo momento eu percebia que eles tinham a intenção só de matar. Porque eles deixavam ver o rosto deles. Diziam: Olhe pra mim. Olhe pra mim, que você vai pro inferno primeiro e depois, num dia, a gente se encontra lá na frente”, contou.

 

 

POR: Rita Moraes
Publicado em 20/04/2023