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Cavalos selvagens voltam a existir no Cazaquistão

Cavalos-de-Przewalski galopam pela zona de exclusão de Chernobyl — Foto: Dennis Barbosa/G1

 

A raça de cavalos Przewaslki voltou a habitar os pastos do Cazaquistão, graças ao governo daquele país, que usou aviões militares para transportar os animais. O último avistamento de um cavalo selvagem foi na Mongólia em 1969.

A espécie surgiu a milênios na Azia Central, mas alguns deles foram levados para zoológico da Europa, para se reproduzem. Com essa levada a espécie teve dificuldade em se reproduzir no Cazaquistão , o que ocasionou a extinção desses animais.

 

Eles foram reintroduzidos também na Mongólia e na China. Eles levaram o nome do imperador russo Nikolai Przewaslki, que colecionava os cavalos e os catalogou para a comunidade científica. O rei foi o responsável pela descoberta no final do século XIX, na região da Mongólia e da China. Ele xxplorou a Ásia Central e a Ásia Oriental. Embora nunca tenha alcançado seu objetivo final, Lhasa no Tibete, viajou pelas regiões desconhecidas ao oeste, assim como ao norte do Tibete, atual Chingai e Zungária, na China.

Contribuiu de forma significativa para o conhecimento europeu sobre a Ásia Central, e foi o primeiro europeu conhecido a descrever o cavalo Equus przewalski (cavalo-de-Przewalski), nomeado em sua honra.[2]

Atualmente, a espécie habita áreas protegidas pelos governos desses países.

 
Cavalos selvagens lutam para não serem extintos

 

Onde existem cavalos selvagens?

Os cavalos selvagens existem em reservas controladas e em alguns jardins zoológicos  e são conhecidos como cavalos de Przewalski. Trata-se da única espécie ainda existente destes antigos animais, que habitaram o planeta há milhares de anos.

Características físicas

Diferente das outras já conhecidas raças que foram domadas há mais de 5 mil anos, os cavalos selvagens nunca foram domesticados, além de possuírem características físicas distintas. Eles são mais robustos e compactos, com pernas curtas e fortes – medem entre 1,22 e 1,47 metro de altura contra 1,50 a 1,80 das outras espécies. A crina é mais ereta e escura, assim como a pelagem é geralmente de cor castanha clara a acinzentada, com uma faixa dorsal escura ao longo das costas.

Alimentação

Esses cavalos raríssimos vivem em áreas de estepes e pastagens abertas, onde se alimentam principalmente de gramíneas e outras plantas. Eles são animais adaptados a ambientes áridos e têm a capacidade de resistir a condições climáticas extremas, como invernos rigorosos e verões quentes.

Projeto criado para proteger os cavalos selvagens na França

Por volta do século XX, grupos preservacionistas europeus conseguiram evitar que os cavalos selvagens fossem dizimados por caçadores interessados na carne. Para isso, foi criado o Projeto Takh (cavalo selvagem na língua mongol) por meio de um acordo firmado entre entidades ambientalistas, com o World Wildlife Fund (WWF) à frente, e o Parque Nacional de Cévennes, no sul da França.

Saiba mais sobre o Projeto Takh.

Atualmente, existem populações reintroduzidas do Cavalo de Przewalski em algumas áreas protegidas da Mongólia, China e Cazaquistão. Esses esforços têm sido cruciais para preservar essa subespécie única e garantir a sobrevivência deste animal que é um importante símbolo da conservação da vida selvagem e da necessidade de proteger espécies em perigo de extinção.

Os cientistas acreditam que os últimos cavalos selvagens do mundo descendem na realidade de uma espécie adestrada há mais de cinco mil anos no Cazaquistão, o que representa uma descoberta “chocante e inesperada” divulgada por pesquisadores franceses, em 2018.

Cavalos selvagens lutam para não serem extintos

“Já não há cavalos selvagens na Terra”, explicou à Agência Efe o diretor da equipe e integrante do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) da França, Ludovic Orlando, que garantiu que o achado altera totalmente o que se sabia sobre a origem dos cavalos.

Até hoje se considerava que o cavalo-de-Przewalski, próprio da Mongólia, era a última subespécie completamente selvagem, como diz um artigo publicado nesta quinta-feira pela equipe na revista “Science”.

A descoberta foi feita por acaso, enquanto a equipe analisava com outros propósitos o genoma de 20 cavalos Botai, a primeira raça domesticada há 5,5 mil anos no Cazaquistão.

“É a primeira vez na minha vida que me ocorre algo assim. É como se, de repente, descobríssemos que o ser humano não provém de onde acreditamos. Seria chocante”, relatou entusiasmado Orlando.

As mais recentes teorias afirmavam que todos os cavalos adestrados provinham dos Botai, mas após a nova descoberta a origem das raças domésticas modernas se tornou um mistério.

Orlando afirmou que os especialistas tentarão descobrir e que é possível que os cavalos domésticos tenham vindo da Ásia Central, do sul da Rússia ou até mesmo da Espanha.

“É quase impossível ter acesso aos primeiros períodos da domesticação analisando os genomas de cavalos modernos”, já que esses foram consideravelmente transformados pela seleção realizada pelos criadores, informou o CNRS.

Em abril do ano passado, Orlando demonstrou com outra pesquisa que as práticas de criação de cavalos desenvolvidas nos últimos 2,3 mil anos são a causa do empobrecimento de sua diversidade genética, o que dificulta a sobrevivência.

Ao longo da história, os humanos foram domesticando espécies e selecionando os melhores de cada uma para adaptá-las melhor aos seus propósitos, o que fez com que os cavalos adestrados atuais compartilhem quase todos o mesmo cromossomo E.

A recuperação e volta à natureza do cavalo de Przewalki – China iniciou as primeiras levadas dos zoológicos para o país

A partir de 1985, os animais que nasceram em jardins zoológicos foram trazidos de volta à sua terra natal. Primeiro para a China e no início da década de 1990, o governo da Mongólia queria trazer o cavalo selvagem de volta à sua terra natal e se estabelecer na Mongólia.

Em 1992, os primeiros cavalos selvagens foram soltos e reassentados com sucesso no Parque Nacional de Hustai, Mongólia, cerca de 100 km a oeste da capital Ulan Bator. Eles eram descendentes de zoológicos europeus e da reserva Askania Nova, na Ucrânia. No mesmo ano, a reintrodução de cavalos selvagens começou em Gobi B, no sudoeste do país, área onde o último cavalo selvagem foi avistado em 1969.

O sucesso dos esforços valeu a pena: na China e na Mongólia, cinco populações estão agora vivendo na natureza novamente, de modo que o status de ameaça dos cavalos selvagens de Przewalski na Lista Vermelha da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN) foi de “Extinto ao ar livre” para “Em perigo” desde 2011.

Há populações do cavalo selvagem de Przewalski em outros países

Há outras populações vivendo em estado de liberdade em outros países. Na Hungria a Reserva Pentezug, no Parque Nacional de Hortobagy abrigava 270 cavalos de Pzewalski em 2018, aproximadamente 30% da população desses animais vivendo na Europa. A partir de 1998, trinta e um cavalos foram soltos na Zona de Exclusão de Chernobyl na Ucrania e Bielo-Rússia, que agora serve como uma reserva natural deserta de fato. Em 2019 a população estimada na zona de Chernobyl era de mais de 100 indivíduos.  A primeira reintrodução na estepe russa, na região de Orenburg, ocorreu em 2016. Em 2014 foram anunciados planos para reintroduzi-los no Cazaquistão.

Cresce a população de cavalos na China

O Projeto de Reintrodução do Cavalo de Przewalski na China foi iniciado em 1985, quando 11 cavalos selvagens foram importados da Alemanha. Depois de mais de duas décadas de esforços, o Centro de Criação de Cavalos Selvagens de Xinjiang criou um grande número de cavalos, 55 dos quais foram soltos na área da Montanha Kalamely. Os animais se adaptaram rapidamente ao seu novo ambiente. Em 1988, seis potros nasceram e sobreviveram, e em 2001, mais de 100 cavalos estavam no centro. Em 2013, o centro hospedava 127 cavalos. Atualmente a população de cavalos de Przewalski na China aumentou para mais de 700 exemplares de acordo com a Administração Nacional de Florestas e Pastagens da China.

POR: Rita Moraes
Publicado em 19/06/2024