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Americana é a primeira mulher a se curar de câncer com terapia experimental

“Já tinha pedido demissão de meu trabalho e estava planejando minha morte.Tinha feito uma lista das últimas coisas que gostaria de fazer antes do fim, como visitar o Grand Canyon. Agora, já voltei para a vida normal do a dia”, disse a americana Judy Perkins, ao jornal The Gauardian. 

Aos 49 anos, Judy é a primeira mulher a se curar de câncer ao receber um tratamento experimental no qual células de seu próprio sistema imunológico foram colhidas, selecionadas e multiplicadas em laboratório e depois reinjetadas em seu corpo, atacaram tumores, que já tinham se espalhado para o fígado e outras áreas, dando-lhe apenas poucos meses de vida.

Hoje, dois anos depois, ainda não há sinais da volta do câncer. Fato, que fez com a equipe liderada por Steven A. Rosemberg, da divisão de  cirurgia do Centro de Pesquisas do Câncer (CCR) do Instituto Nacional do Câncer dos EUA (NCI). O artigo, publicado na Revista Nature Medicine causou forte impacto no meio médico e é uma luz de esperança para as milhares de pessoas  acometidas pelo mal no mundo. 

A transferência adotiva de células, a ACT, já se mostrou eficaz no combate ao melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele. 

Como foi o tratamento

Os pesquisadores coletaram amostras dos tumores de Judy e analisaram seu DNA em busca de mutações específicas da doença dela. Identificaram então quatro tipos estas alterações genéticas que faziam com que as células tumorais produzissem quatro proteínas também mutantes.

A seguir, os cientistas colheram células do sistema imunológico de Judy conhecidas como linfócitos infiltradores de tumores, TIL. Estas células invadem os tumores na tentativa de acabar com o câncer, mas geralmente fracassam seja por serem fracas demais ou muito poucas para o trabalho. 

Depois, os pesquisadores cultivam bilhões de cópias destes células de defesa da próprias Judy em laboratório, selecionando as que seriam mais fortes e eficazes para encontrar e matar as células cancerosas dela ao reconhecer suas quatro proteínas mutantes. Por fim, eles injetaram cerca de 80 bilhões destes linfócitos em seu organismo conjugados com um tipo de droga imunoterápica contra o câncer que impede que as células tumorais se “esquivem” do ataque, aumentando a eficiência do tratamento. 

Testes feitos 42 semanas depois mostraram que ela estava livre do câncer, e permanece até agora, cerca de dois anos depois.

Segundo Dr. Rosenberg, em entrevista à BBC de Londres, “as próprias mutações que causaram o câncer de Judy se mostraram ser seu calcanhar de Aquiles. Estamos falando de um tratamento personalizado do mais alto nível imaginável”. 

Judy Perkins comemora sua nova vida e pode ser o símbolo da cura do câncer, doença que mata 8,2 milhões de pessoas e é uma das principais causas de morte em todo o mundo. 

POR: Rita Moraes
Publicado em 05/06/2018