ConexãoIn



“Não consigo parar”: pandemia desafia economia informal

 

A sua clientela tinha praticamente desaparecido desde que o governo mexicano disse às pessoas que permanecessem em suas casas. E ele sabia que corria o risco de contrair o coronavírus. No entanto, Leonardo Meneses Prado ainda se postava com o seu carrinho de hambúrgueres no lugar de sempre na calçada.

“Não posso parar”, ele disse no final de março. “Se eu não vendo, não como. Simplesmente isto”. As economias da América Latina já eram frágeis antes do coronavírus. Mas agora a perspectiva é muito pior à medida que as iniciativas para fazer frente à pandemia paralisam a atividade econômica.

E nenhum setor da sociedade será tão vulnerável quanto o dos trabalhadores que lutam na vasta economia informal da região, na sua maioria sem a vigilância oficial e sem as proteções trabalhistas. Estes trabalhadores, a maioria na região, variam desde os vendedores de rua em Assunção, no Paraguai, aos entregadores que percorrem as ruas de Lima, no Peru, aos recicladores de lixo de Tegucigalpa, Honduras.

Eles vivem à beira da sobrevivência com o mínimo de poupança ou mesmo sem poupança alguma, e uma rede de seguridade social limitada. Muitos também correm um risco ainda maior de contrair o vírus, em contato com estrangeiros e depois retornando para as suas moradias superlotadas.

 

POR: Rita Moraes
Publicado em 07/04/2020