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Vereadores denunciam perseguição a servidor demitido pela Secretária da Fazenda de Salvador Giovana Victer

Dirigentes do Sindicato dos Fazendários do Município de Salvador (SINDIFAM) denunciam a demissão do auditor de controle interno Raimundo Pereira da Silva Júnior. Vereadores Silvio Humberto ( PSB), Augusto Rodrigues (PC do B) e Marta Rodrigues (PT) prestaram solidariedade em Na audiência pública no Centro de Cultura da Câmara de Vereadores de Salvador, dia 25 de novembro. Participaram também o professor Edvaldo Brito, Vereador Tiago Ferreira, Vereador Kiki Bispo e o deputado federal Antônio Brito.

A publicação com o desligamento do funcionário público está na edição do último dia 21 de novembro, do Diário Oficial do Município.
A medida extrema é considerada ultrajante contra um servidor concursado do órgão.

Segundo a denúncia, após negar-se a modificar relatórios em processos financeiros que prejudicariam os cofres municipais, iniciou-se um processo de perseguição e constante assédio que culminou em ataques contundentes à dignidade do trabalhador. Ainda no estágio probatório, Raimundo Júnior teve sua avaliação prejudicada pelos perseguidores que ainda ocupam cargos hierárquicos superiores na Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz).

Os sindicalistas apontam ainda que os advogados tentaram atuar na defesa do colega e não puderam ter acesso ao processo onde Raimundo Júnior era acusado de assédio pelos seus superiores. Outro aspecto que intrigou a diretoria do SINDIFAM é que o fazendário está em exercício de mandato classista. Eleito para a nova composição da entidade, ele tem sido destacado militante na cobrança para não existirem mais atrasos na concessão de aposentadorias dos servidores públicos, onde aponta a responsabilidade da Prefeitura de Salvador. Além disso, as negativas em modificar relatórios de análises de contratos importantes para o Município também causaram desconfortos aos gestores municipais.

“Manifestamos repúdio à demissão do colega Raimundo Júnior e também ao aparelhamento da Guarda Civil Municipal de Salvador, fazendo com que esses honrados colegas sirvam aos interesses ilegais e particulares, em claro desvio de suas funções. Noticiamos esse fato à sociedade visto que em sua competência, esse auditor de controle interno cumpriu suas obrigações com ética, responsabilidade e respeito, sem se render aos caprichos políticos que “exigiam” que desfizesse de sua honra para “fechar os olhos” para irregularidades gritantes em contratos pagos com o dinheiro suado do cidadão soteropolitano”, diz a nota emitida pelo SINDIFAM.

Enfrentando dificuldades para acessar o Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) ao qual foi considerado como acusado, Raimundo Júnior alega ter feito diversas intervenções no setor onde era lotado na tentativa de efetuar sua defesa nos prazos estabelecidos. Acompanhados por diretores do SINDIFAM e do Sindicato dos Servidores da Prefeitura (Sindseps), o auditor foi impedido de adentrar por guardas civis municipais que ocupavam todo um andar com ordem expressa de contê-lo à força. “Foi uma humilhação que nunca esquecerei. Fui impedido de entrar no local onde escolhi trabalhar após atuar no Banco do Brasil, TCE do Rio Grande do Sul e na Petrobras. Minha escolha por Salvador foi para trabalhar e seguir a minha vida. Nesse lugar que fiz amigos, defendi o suor do contribuinte e atuei de forma ética com as minhas responsabilidades, fui negligenciado, perseguido e enxotado. Ao tentar rever a minha dignidade e minha defesa fui impedido por homens armados”, lembra Raimundo Júnior.

*Prática antissindical*— Após a ampla divulgação da demissão do auditor de controle interno, Raimundo Júnior, as entidades representativas dos servidores públicos municipais hipotecaram solidariedade ao colega. Atos públicos foram realizados no centro da cidade e um protesto chamou atenção dos servidores da Sefaz. A injusta demissão foi denunciada na Tribuna Popular da Câmara Municipal de Salvador, onde a bancada de oposição recebeu o funcionário público que contou detalhes da situação a qual foi submetido como trabalhador e sindicalista. Os vereadores se colocaram à disposição para apurar a prática antissindical imputada à gestão municipal do prefeito Bruno Reis (UB) e cobrar respostas urgentes sobre o processo viciado feito para punir um dirigente sindical. “Minha vinda à Câmara Municipal foi por convite dos vereadores que queriam saber detalhes dessa jornada que estou enfrentando. Fiquei extremamente sensibilizado com a forma com que fui acolhido e com a atitude proativa dos edis para com a situação. Creio que a força dos mandatos e das entidades sindicais ampliará o alcance dessa denúncia. Nutro a certeza de que voltarei para o meu trabalho, garantirei meu sustento, além de cumprir minha missão de defender os cofres públicos daqueles que vivem a sugar o sangue do povo de Salvador”, finalizou o sindicalista.

POR: Rita Moraes
Publicado em 03/12/2022