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Ronaldinho evitou por 3 anos pagar pensão a viúva de caseiro morto em sítio… – Veja mais em https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2022/10/27/ronaldinho-gaucho-pensao-caseiro-morto-sitio-abelhas.htm?cmpid=copiaecola

O zum-zum-zum das abelhas penetrava as telhas da casa nos fundos do sítio onde Ronaldinho Gaúcho costuma dar suas festas, em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre. Na casa moravam Laci Meireles e Loeci Pereira, o casal de funcionários que cuidava da propriedade do jogador. Alojadas sobre o telhado, as abelhas entravam pelo forro e ameaçavam a família e seus visitantes. Paulo Renato, o filho do casal, também era caseiro de Ronaldinho e morava ali perto com a esposa e a filha, uma criança com deficiência.

O caseiro Laci tinha contado sobre o problema a dona Miguelina Assis, mãe de Ronaldinho e administradora do sítio. Pediu ajuda aos vizinhos, que o aconselharam a chamar os bombeiros para fazer o serviço. Loeci ligou para os bombeiros, mas eles disseram que só poderiam ir ao sítio se solicitados pelo proprietário.

Era por volta de 15h30 de uma sexta-feira quando ele e o filho Paulo foram picados, ao voltar do campo onde tinham ido cortar e recolher a grama. Laci duas vezes, no pescoço. O caseiro era alérgico a abelhas. Foi levado às pressas ao pronto-socorro e imediatamente transferido à UTI do hospital Parque Belém, em Porto Alegre. Morreu uma semana depois, aos 55 anos. Aquele dia, 29 de março de 2013, marcou o início da batalha jurídica de Loeci pelo direito de receber uma indenização pela morte do marido. Ronaldinho, que jogava no Atlético-MG e não estava no sítio no momento do ataque, foi considerado pela Justiça responsável pelo acidente, já que um empregador precisa dar boas condições.

A viúva deixou o sítio depois da morte do marido e precisou contratar uma advogada para receber aquilo que achava ter direito. Durante três anos, de 2013 a 2015, Ronaldinho teve a ajuda de uma competente equipe de defensores para evitar o pagamento da indenização e de uma pensão mensal à viúva, equivalente ao último salário anotado em carteira. Quando morreu, o caseiro recebia R$ 837. Loeci faz parte de um grupo extenso de pessoas, empresas e instituições que acionaram a Justiça contra Ronaldinho, seu irmão Assis (ex-jogador de sucesso, agente de atletas e empresário por trás dos negócios de Ronaldinho) e outros parentes próximos ligados às atividades extracampo do ex-jogador.

O levantamento não é completo porque só leva em conta informações que o software da Ivenis consegue acessar automaticamente. Dele não constam casos que estão sob segredo de Justiça e processos criminais ou trabalhistas movidos contra o atleta enquanto pessoa física – como o caso dos empregados Laci e Loeci. Além dos processos detectados automaticamente, outros vieram a público pelo trabalho de jornalistas que investigam as atividades do atleta, eleito o melhor do mundo pela Fifa em 2004 e 2005. Ronaldinho já foi processado no Rio Grande do Sul por crime ambiental, no Rio de Janeiro para pagar pensão a uma ex-mulher e no Paraguai por entrar no país com documentos falsos – por causa disso, ficou sete meses preso com o irmão em Assunção.

Na noite anterior, o advogado Sergio Queiroz tinha protocolado um pedido de adiamento da audiência, alegando que seu cliente estava repousando. A juíza recebeu um atestado assinado pelo dentista Leonardo David recomendando a Ronaldinho “repouso absoluto” por causa de uma “raspagem periodental, devido à abscesso periodental no quadrante inferior direito, elemento 44 e 45, apresentando secreção, edema e inflamação local”. A audiência foi adiada. O atestado assinado pelo dentista, que tem consultório no Rio, foi datado em 23 de novembro. No dia 24, Ronaldinho deveria estar em “repouso absoluto”, mas postou em suas redes sociais uma foto em uma concessionária de carros de luxo em Miam.

POR: Rita Moraes
Publicado em 27/10/2022