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Rita Clemente estreia solo “Natureza morta” em 6 de abril no Sesc Copacabana

O fim do amor e do desejo – e, a partir daí, o início de uma nova jornada. Em “Natureza Morta”, uma mulher de meia-idade se encontra justamente neste ponto de ruptura definitiva: ela mata o marido para fazer uma viagem que planejava há anos. A ideia da viagem dispara questões no relacionamento dos dois e conduz a uma inevitável conclusão. Com texto de Mário Viana, “Natureza Morta” ganha montagem com concepção geral e atuação de Rita Clemente. O solo conta com a interlocução artística de Júlio Maciel, integrante do Grupo Galpão. A peça estreia em 6 de abril no Sesc Copacabana (Sala Multiuso). Após as sessões do espetáculo às quartas-feiras, haverá uma roda de conversa com Rita Clemente e convidados.

Para escrever “Natureza Morta”, Mário Viana se inspirou na tela “A Assassina” (1906), do pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944), que conheceu em uma edição da Bienal de São Paulo. Na época, ele integrava um grupo de jovens dramaturgos, e ali foi instado a escrever um texto curto sobre heroínas. A tela de Munch foi ponto de partida para essa história. “Para mim, a força do texto é a mistura de sentimentos da personagem. Ela ainda ama aquele cara? Amou mesmo? Tem medo? Está mesmo decidida a fugir?”, indaga Mário.

Movimento artístico surgido no início do século XX, em meio a um cenário de transformações sociais, políticas e culturais, o Expressionismo caracteriza o mais acentuado desassossego humano. Munch ficou conhecido por abordar o trágico em suas pinturas, com traços distorcidos e agressivos, cores fortes e vibrantes. Na tela “A Assassina” há uma indicação direta de que a personagem, com uma faca suja de sangue nas mãos, assassinou o homem deitado na cama.

Na peça, a mulher mata o marido e é surpreendida pela presença do próprio pintor. Tratando dos anseios de mulheres que já não são tão jovens e que tiveram os seus sonhos subjugados, o espetáculo transpassa as relações afetivas e o arrefecimento da paixão entre um casal para trazer à tona questões da vida de uma mulher em processo de enfrentamento de seus sonhos e desejos.

“Gosto do tema arquetípico do final de um relacionamento, e o autor vai fundo nessa questão. Nas entrelinhas, vemos muita contradição e dúvidas por baixo das certezas e vontades dessa mulher”, diz Rita. “Quero muito que as pessoas sejam tocadas por esse trabalho. Reforço que é uma mulher de 55 anos falando de si e dessas mulheres também, de como chegamos numa idade em que gostaríamos de mudar tudo. Essa personagem está fazendo um esforço real para quebrar essa linha que nos separa de uma renovação, de uma vida nova, o que é sempre um esforço maior para nós, mulheres.”  

O espetáculo se fundamenta na pesquisa de Rita intitulada “Solo, Sim! Monólogo, Não”, que tem como foco o deslocamento de uma narrativa direta e monológica em direção a um solo, admitindo interlocuções, mesmo que haja apenas um ator em cena. Para “Natureza Morta”, a artista estabelece como elemento primário a interlocução da personagem/atriz com o pintor do quadro.

Rita Clemente – É atriz, diretora e dramaturga com experiência em teatro, cinema e TV. É uma das principais referências da cena teatral mineira da atualidade e tem se dedicado à pesquisa de criação contínua em Belo Horizonte há mais de 30 anos. Diretora premiada pelas peças “Dias felizes”, com texto de Samuel Beckett (prêmios Questão de Crítica/RJ – 2013 e Usiminas Sinparc/BH -2006) e “O que você foi quando era criança?”, de Lourenço Mutarelli (Prêmio Copasa Sinparc – 2015). Foi também indicada aos prêmios Shell SP e Qualidade SP (2008) pela direção de “Amores Surdos”, do grupo Espanca!. Na TV, estreou como atriz no seriado “A cura” e fez parte das novelas “A vida da gente”, “Amor à vida”, e “Liberdade, liberdade”, todas na TV Globo. No cinema, atuou nos filmes “Pequenas histórias” e “Batismo de sangue”, do diretor Helvécio Ratton.

Mário Viana – Dramaturgo natural de São Paulo, é autor de cerca de 30 peças teatrais, tais como: “Carro de paulista” (2003), “Vestir o pai” (2003), “Vamos?” (2010), “Galeria Metrópole” (2004), “Amanhã é Natal” (2009), “Cheiro de céu” (2011), “Vida & obra de um tipo à toa” (2012), entre outras. Na TV, foi colaborador de Aimar Labaki em “Seus olhos” (2004) e “Paixões proibidas” (2006); de Lauro César Muniz em “Poder paralelo” (2009 e “Máscaras” (2012) e de Carlos Lombardi em “Pecado mortal” (2013/2014). Coordenou a equipe de autores do programa de humor de Tom Cavalcante no Multishow. Atualmente, integra a equipe de roteiristas da Rede Globo, tendo sido indicado ao Emmy Kids por “Malhação: sonhos” (2015) e ao Emmy Internacional por “Totalmente demais” (2016), ambas de Rosane Svartman e Paulo Halm. Foi também premiado com o Emmy Kids 2018 por “Malhação: viva a diferença”, de Cao Hamburger.

Júlio Maciel – Ator e diretor teatral. Formado pelo curso técnico de Teatro Universitário da UFMG em 1989. Passou a integrar o Grupo Galpão desde 1990, tendo participado como ator de vários espetáculos do grupo, além da direção de “Till: a saga de um herói torto” (2009). Nos últimos 20 anos, vem sendo convidado por vários grupos de teatro de diversas cidades brasileiras para dirigir e ministrar oficinas sobre a arte do ator.

Ficha Técnica

Atuação e concepção geral: Rita Clemente

Texto: Mário Viana

Interlocução artística: Júlio Maciel (Grupo Galpão)

Iluminação: Régelles Queiroz (Gato de Luz Iluminação Cênica)

Cenografia e figurino: Rita Clemente

Trilha e efeitos sonoros: Márcio Monteiro

Pianista intérprete (Gravação): Marcelo Sampaio

Voz em off (Mulher): Rita Clemente

Voz em off (Homem): Márcio Monteiro

Assistência de direção, direção de movimento, design e fotografia: Priscila Natany

Cenotecnia: Helvécio Izabel

Montagem: Charles Carvalho

Operação de luz e som: Fred Eça

Produção: Clementtina Cultura

Assistência de produção (BH): Analu Diniz

Assistência de produção (RJ): Sarah Alonso

Assessoria de imprensa: Paula Catunda

Social media: Rodrigo Menezes

 

SERVIÇO

Espetáculo: “Natureza Morta”.

Temporada: de 06 a 24 de abril de 2022.

Local: Sesc Copacabana – Sala Multiuso.

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana.

Dias e horário:

De 6 a 10 de abril, quarta a domingo, às 18h.

De 12 a 17 de abril, terça a domingo, às 18h.

De 20 a 24 de abril, quarta a domingo, às 18h.

Ingressos: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia entrada em casos previstos por lei, professores e classe artística com documento comprobatório)

R$ 7,50 (credencial plena) | Gratuidade (PCG).

Horários da bilheteria: De terça a sexta-feira, das 9h às 20h.

Sábado e domingo, das 12h às 20h.

Classificação: 14 anos.

Duração: 40 min.

Capacidade: 50 lugares.

 

Nas redes:

Instagram: @clementtina_ritaclemente | @ritaclemente.arte

Facebook: /clementtinacultura/

POR: Rita Moraes
Publicado em 06/04/2022