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O caso Coelba versus CEF e o Brasil. Artigo do jornalista Alex Ferraz.

A Bahia viveu recentemente uma situação vexatória.
Refiro-me às filas kafkianas de consumidores de energia elétrica, na grande maioria pobres e idosos, que se formaram em todo o estado para pagar a conta de luz. Uma tortura inominável!
Tudo por causa de um briga entre Coelba e lotéricas, quando estas decidiram não aceitar mais o pagamento da energia.
Teve gente que ficou mais de quatro horas na fila!
 
Bem, e o que tem a ver esse caso – felizmente resolvido com a ação do MP e a força da mídia – com o Brasil em si?
Vejamos Brasília, como exemplo máximo refletido em governos em geral: decisões são tomadas por interesses corporativos sem a mínima preocupação com o reflexo das medidas no povo, na grande massa sofrida da população brasileira.
 
Coelba e lotéricas provavelmente sequer imaginaram o caos que criaram com a decisão radical de uma das partes. Faltou alguém, um assessor por exemplo, com sensibilidade para aconselhar que elas resolvessem suas broncas sem torturar a população. E sem trazer o enorme desgaste ocorrido na imagem de ambas.
 
É o que falta em Brasília, no Brasil. Alguma mente (ou mentes) com um mínimo de sensibilidade para fazer ver a governos e legisladores o gigantesco fosso entre eles e a sociedade, notadamente a parte mais humilde dessa sociedade, que é a enorme maioria.
 
Omissão diante do caos na segurança pública, na saúde pública, nas rodovias. Aumentos cruéis e incessantes nos preços dos combustíveis, inusive o gás de cozinha. E até mesmo o ataque cada vez mais explícito àqueles poucos que resolveram combater de verdade a corrupção.
 
Para esses cruéis agentes da maldade, insensíveis, “o povo que se exploda”, como dizia aquele personagem de Chico Anysio.
 
De prefeituras que ignoram as solicitações mais simples da população, como uma troca de lâmpada na rua ou o conserto de uma escadaria, a um governo central e parlamentares que fazem vista grossa, os grupos que mandam e legislam no país só se preocupam com seus interesses e de seus parceiros em negócios.
 
Pois é. Mas pode ser que um dia o desejo de Justo Verissimo, o personagem citado de Chico, torne-se realidade sob outro ângulo e povo…Exploda! Ou não…
 
Artigo do jornalista Alex Ferraz.
 
 
 
POR: Rita Moraes
Publicado em 17/07/2018