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Livremente inspirada na obra do poeta Manoel de Barros, nova peça infantojuvenil da diretora Duda Maia estreia em 4 de março no Teatro Oi Futuro

 


Em seu primeiro livro dedicado ao público infantil,
Exercícios de ser criança (1999), o poeta Manoel de Barros publicou O menino que carregava água na peneira. Nos versos, o garoto do título fazia peraltices com as palavras, e sua mãe dizia que ele seria um poeta. A partir deste poema, a atriz Dayse Pozato teve a ideia de montar uma peça para toda a família, tendo como ponto de partida a obra do escritor mato-grossense.

Com direção de Duda Maia, “Manoel” estreia em 4 de março no teatro do Centro Cultural Oi Futuro, onde fica em cartaz até 7 de maio, com sessões aos sábados e domingos, às 16h. Parceiro da diretora desde o musical AUÊ (2016), o ator e autor Eduardo Rios assina o texto. A trilha sonora original ficou a cargo de Beto Lemos. A produção é da Palavra Z Produções Culturais, com direção de produção de Bruno Mariozz. O projeto conta com patrocínio da Oi e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Lei de Incentivo à Cultura.

Em cena, Dayse Pozato e Luan Vieira são dois personagens – batizados de Bocós, em alusão a um termo que Manoel usa em alguns de seus poemas – que brincam de ser um monte de coisas, descobrem e inventam palavras, experimentam os sons das palavras despertando novos sentidos, catam formigas e galhos secos pelo chão, gostam de ouvir o silêncio da chuva e brincar de pensar em nada. Entre brincadeiras e reflexões típicas da infância, os dois percorrem temas presentes na obra do poeta, como a natureza, o nada, o escuro, o silêncio e as inutilidades.

“Os Bocós conduzem o espetáculo do começo ao fim, vão brincando de várias coisas. Pesquisamos muito para construir uma fisicalidade que trouxesse uma experiência sensorial pela plasticidade, movimentação e musicalidade”, diz a diretora. “É uma homenagem à obra do Manoel e ao nosso ofício também.”

Conhecida por seus trabalhos construídos com base na fisicalidade lapidada durante o processo de criação, Duda Maia desenvolveu com Eduardo Rios o roteiro da peça a partir de uma extensa pesquisa sobre a obra do poeta, que se estendeu aos ensaios.

“A gente começa pelo corpo e depois vai para o texto. É um método de trabalho que eu e Duda temos. Às vezes, ela faz uma coreografia e me pede um diálogo para aquele movimento. O roteiro do espetáculo é todo pensado em conjunto”, conta Eduardo Rios. “Ser Manoel não é ser incrível. É ser desencrível, é ser mínimo, inútil. E ele faz isso com muita maestria. Ele me conduziu a reconhecer essa inutilidade dentro de mim. Manoel me serviu como uma inspiração, uma provocação”, diz o autor sobre os desafios de criar um texto livremente inspirado na obra do poeta.

Trabalhando com Duda Maia pela primeira vez, Dayse Pozato foi aluna da diretora na Escola de Dança Angel Vianna: “Em 2016, quando eu decidi fazer um projeto inspirado na obra do Manoel de Barros, pensei imediatamente na Duda. Achei que tinha uma coisa ligada ao corpo, ao movimento”, diz. “Quando li pela primeira vez o poema O menino que carregava água com a peneira achei um escândalo. Na época, perguntei ao meu filho, então com 13 anos, se ele conhecia Manoel Barros e se tinha estudado na escola. Ele me disse que não. Isso me estimulou a querer montar essa peça pensada não somente nas crianças, mas em toda a família”, conta a atriz e idealizadora.

De acordo com Victor D’Almeida, gerente de cultura do centro cultural, o Oi Futuro investe no teatro infantil como importante espaço de reflexão e formação de público: “Selecionado no Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados, Manoelaborda temas como a imaginação, a poesia e a sensibilidade em contraste com a racionalidade e a lógica do mundo adulto. Acreditamos que o teatro é um veículo potente para que crianças possam experimentar e descobrir novas ideias e conceitos, e ajudá-las a desenvolver habilidades importantes como a criatividade e a imaginação. Desejamos proporcionar, por meio da arte, o contato com o diferente e estimular o olhar crítico, sempre construtivo, sobre as normas vigentes e a realidade em que vivem”.

Em “Manoel”, Duda Maia e Bruno Mariozz, diretor da Palavra Z Produções Culturais, dão continuidade àparceria de sucesso no teatro carioca feito para a família. Juntos, estão à frente da premiada trilogia musical infantojuvenil Três Histórias de Amor Para Crianças: “A Gaiola”, “Contos Partidos de Amor” e “Vamos Comprar Um Poeta”. “Criamos e pensamos o teatro para toda a família, promovendo o diálogo entre pais e filhos. ‘Manoel’ é um projeto que segue esse caminho, que ocupa esse lugar de fala”, diz Bruno Mariozz.

POR: Rita Moraes
Publicado em 02/03/2023