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Hiperconectividade: quais os limites que separam a diversão e a doença?

O mundo está cada vez mais digital e cada dia as pessoas se tornam mais dependentes das tecnologias. De acordo com o IBGE –  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, as crianças e adolescentes lideram o ranking no uso excessivo de celulares e internet. Com a pandemia, este problema se tornou ainda pior, e o tempo online está cada vez  mais exagerado. No entanto, a hiperconectividade em uma idade tão precoce, em que o cérebro ainda não está totalmente formado, pode ser mais perigoso do que se imagina. Segundo o psicólogo do Sistema Hapvida, Carol Costa Jr., não há como fugir deste cenário. “Prova disso é quando as plataformas digitais ficam fora do ar por algumas horas e isso se transforma em um verdadeiro caos global”, pondera o especialista. 

Para ele, é neste momento que sentimos o quanto somos frágeis perante essas redes, que surgiram, inicialmente, como entretenimento, mas já fazem parte do nosso dia a dia, seja para pagar uma conta, consultar uma informação, chegar a um endereço. Tudo acontece por conta da conectividade, mas o excesso dela tem provocado muitos prejuízos na vida de crianças, adolescentes e suas famílias. Quando esse consumo começa a ser exagerado e as pessoas não conseguem se desvencilhar disso, aí se dá a hiperconectividade, que pode levar a um transtorno catalogado recentemente e que é tratado como um mal decorrente dessa prática.

Conforme o psicólogo, já há comprovação de que o aumento da exposição à luminosidade, causada pelo uso excessivo de telas, afeta inclusive a saúde dos olhos, pois, ao deixar de piscar, perde-se a lubrificação do globo ocular, o que tem gerado uma procura muito grande de jovens por consultas com oftalmologistas. Além disso, o uso demasiado de aparelhos tecnológicos e das redes sociais por essa parcela da população tem culminado na distorção da imagem corpórea, que também é um transtorno e tem acometido cada vez mais jovens, que começam a achar suas aparências mais interessantes no mundo virtual que no mundo real.

Carol Costa Jr. ainda ressalta que outro dano à saúde mental é o aumento da ansiedade. “Essas pessoas não conseguem mais esperar para ter uma resposta ou construir algo, pois tudo o que se deseja está ao alcance de um clique. O resultado disso são pessoas com baixo limiar de frustração e de tolerância, por já terem tudo o que querem, na hora e da maneira que querem. Ninguém mais espera nada e isso tem trazido um prejuízo muito grande para a sociedade”, afirma. 

Combate e prevenção

A primeira coisa é mostrar a todos os públicos que existe a vida virtual e a real, sendo necessário equilibrar o tempo dedicado a elas. Para o médico, é fundamental definir um momento para a distração online e outro para as demandas reais, para o contato direto. “Nós somos animais sociais e precisamos desse contato, pois a socialização é extremamente importante para o nosso desenvolvimento. Um exemplo disso é a maior conexão que havia entre as pessoas de uma família, pois tinham mais tempo para conversar. Hoje essas mesmas pessoas vão a um restaurante e ficam todos sentados à mesa, de cabeça baixa, smartphone na mão, sem um dar atenção ao outro”, pontua. 

Por outro lado, Carol entende que no atual contexto de pandemia, foi graças a essa conectividade que conseguimos nos aproximar das pessoas que estavam distantes e de quem não podíamos nos aproximar devido ao risco de contaminação. E aí também existe o mérito, pois o fato  de estarmos conectados não é extremamente danoso, mas o tempo que ficamos nesse estado.

Quando buscar ajuda?

A ciência hoje reconhece como patologia a condição do indivíduo que não consegue ficar ao menos 1 minuto e meio sem tocar ou olhar para a tela do celular. A patologia começa quando a vida das pessoas começa a ter prejuízos por conta disso, mas há também estratégias para lidar com essa situação, transformando o que é patológico em funcional. “Os casos nos quais se faz necessário procurar ajuda especializada ocorrem quando o tempo diante das telas começa a atrapalhar a rotina das pessoas, e elas deixam de fazer suas atividades laborais, de coexistir com familiares e amigos e de seguir o rumo natural das suas vidas”, frisa o especialista.

É neste momento que o psicólogo entra em cena com seu conhecimento e os métodos necessários para ajudar as pessoas, por meio do uso de ferramentas e abordagens específicas para tal. Segundo ele, as chances de sucesso são de 99% após o início do tratamento, que devolve o bem-estar e a qualidade de vida, no mundo real, para essas pessoas. “Com essa intervenção, o virtual poderá ser utilizado, mas não será mais patológico, doentio”, encerra.

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POR: Rita Moraes
Publicado em 14/12/2021