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Estruturação da apicultura na Bahia é tema de audiência pública

 

A criação de um Cinturão Verde, um Cinturão Apícola, a sanidade das abelhas e a morte desses insetos pelo uso incorreto dos agrotóxicos foram pauta da audiência pública “Cadeia Produtiva da Apicultura no Estado – Entraves e Perspectivas”, realizada na manhã de ontem, 1, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

Foi a primeira vez que o tema esteve em discussão pela Comissão do Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos, reunindo representantes do Ministério da Agricultura, (Mapa), da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (Abaf), Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), Ministério Público, Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Território do Litoral Norte e Agreste Baiano, Consórcio de Desenvolvimento Sustentável da Costa do Descobrimento, Consórcio Intermunicipal do Mosaico de Apas do Baixo Sul, Consórcio Intermunicipal do semiárido Nordeste II, além de cooperativas de apicultores.

De acordo com dados da Associação Baiana dos Exportadores de Mel (Abemel), as exportações cresceram em mais de 52% em 2020. O país produz 46 mil toneladas de mel, sendo o Sul do Brasil o responsável por 38,2% do estoque de mel brasileiro. Na sequência aparece o Nordeste com 33,4%, o Sudeste com 21,4%, o Centro-Oeste com 3,9% e o Norte com 2,2%. “Temos uma responsabilidade muito grande, no tocante ao controle da cadeia apícola. A questão da sanidade dos insetos impacta diretamente nas lavouras e em nossas vidas. Além disso, temos à nossa disposição vegetações favoráveis como a Caatinga, o Cerrado e a Floresta Tropical úmida para a criação das abelhas”, analisou o diretor geral da Adab, Oziel Oliveira, acompanhado pela coordenadora do Programa de Sanidade das Abelhas e fiscal estadual agropecuária da Adab, Rejane Peixoto. 

Ela salientou que, para compor os cinturões de preservação e controle do pasto apícola é fundamental o cadastramento dos produtores na base do sistema de defesa da Agência. “Esse é um dos entraves para o desenvolvimento da atividade e condição essencial para estabelecimento das ações de defesa, uma vez que boa parte da produção de mel e criação de abelhas é originária da agricultura familiar e 66% dos polinizadores da natureza são as abelhas”. Outro desafio para o segmento é a implementação de laboratórios especializados para o diagnóstico das doenças que afetam as abelhas e avaliem a quantidade de agrotóxicos quando da mortandade dos insetos no campo. “Como é evidente o crescimento da produção e as demandas do setor, a Seagri já trabalhando em conjunto com a Adab na elaboração de orçamentos e projetos com esta finalidade”, antecipou o diretor geral, Oziel Oliveira. “Mas até lá, esperamos contar com o apoio de todos os elos da cadeia para sanar esta dificuldade”.

Na Bahia existem 20 mil apicultores distribuídos em 87 Unidades de Beneficiamento do Mel (UBM). Entre 2010 e 2020 houve um aumento de 109% na produção de mel e nos últimos três anos o incremento chegou a 65%. O valor da produção cresceu 104% e o preço do mel, por quilo, subiu 26%. Entre os municípios que se destacam no segmento estão Campo Alegre de Lourdes, Tucano, Remanso, Pilão Arcado, Casa Nova, Serra do Ramalho e Euclides da Cunha. Eles representam 30% da produção baiana de mel. Eunápolis, Entre Rios, Alagoinhas e Canavieiras também são destaque no pasto apícola do estado.

Segundo dados do IBGE, a Bahia é o sétimo produtor de mel do país, com quatro mil toneladas/ano, superado pelo Rio Grande do Sul, Paraná, Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Presente ao evento de maneira remota, a Zootecnista, especialista em abelhas, Hanay Doreto, explicou que a preocupação com as abelhas vai além do mel. “A apicultura envolve questões ecológicas, sociais e econômicas, uma vez que, por meio da polinização, elas são responsáveis por 70% das culturas agrícolas”, enfatizou a especialista, destacando que 100% das amêndoas, 90% das maçãs, 48% dos pêssegos, 27% das laranjas, 16% do algodão e 5% da soja são polinizados pelas abelhas.

“Diante deste cenário, nosso objetivo é promover ações proativas, preventivas e de articulação entre os entes desta cadeia”, destacou o deputado estadual, José de Arimatéia, presidente da Comissão na Alba. “A fiscalização do uso de agrotóxicos, a orientação aos apicultores e produtores de mel no estado, além da pactuação de condutas no tocante aos espaços de regulação são fundamentais para a estruturação da cadeia”, apontou Arimatéia. 

Apoio e Sugestões

Grande parceira da apicultura na Bahia, a Abaf participou do encontro, levando sugestões. A entidade dá apoio a 1.000 apicultores e 28 associações em 22 municípios. “Os dados gerais do setor, incluindo produção por município, cadastro, formalização e registro dos apicultores, precisam ser incrementados, assim como um sistema de comunicação que permita o atendimento em casos de ocorrência e mortandade”, disse o diretor executivo da entidade, Wilson Andrade.

A Abaf recomendou a elaboração de um Plano Estratégico para viabilizar o crescimento sustentável do setor, com participação de diversos atores ligados direta ou indiretamente à cadeia produtiva do mel. Segundo o diretor executivo, o Plano deveria focar dados e informações técnicas, cessão de áreas, cadastro dos produtores junto à Adab, além do georreferenciamento de colméias, acesso a linhas de crédito, assistência técnica para o manejo e comercialização. “Os dados precisam ser analisados para compreender as especificidades da apicultura baiana já que 80% da produção estão relacionadas ao clima e 20% ao manejo”, ponderou Andrade, sugerindo que a Câmara Setorial de Apicultura pode estar à frente do processo porque já abriga as entidades interessadas no tema.

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POR: Rita Moraes
Publicado em 02/12/2021