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Cuidados pós operatórios são essenciais no processo de recuperação cirúrgica

Após o apagão dos primeiros meses da pandemia da Covid-19, quando pouco ainda se sabia sobre o vírus, e havia a recomendação para a suspensão das cirurgias eletivas (não urgentes), as pessoas passaram a ver o período de isolamento social imposto pela pandemia como o ideal para a realização de cirurgias plásticas sejam elas estéticas ou reparadoras. Isso se dá por conta da comodidade de permanecer em casa durante o período necessário à recuperação e poder continuar trabalhando normalmente. Entretanto, para que isso aconteça é necessário atentar aos cuidados pós operatórios, são eles que vão garantir tanto o resultado esperado com a cirurgia, quanto o bem estar e a condição física para a realização das atividades profissionais.  

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, não há dados que comprovem o aumento das cirurgias plásticas no Brasil durante a pandemia. Para a entidade, o aparente aumento nas buscas às clínicas pode estar associado a uma demanda que ficou reprimida nos meses em que os procedimentos estiveram suspensos. Mas, embora não hajam dados oficiais, o número de atendimentos após a liberação das cirurgias eletivas tem sido mais constante, é o que garante a fisioterapeuta Nieuma Lobo.  

Especialista em tratamento pós operatório a profissional confirma que o aumento na demanda se dá tanto por conta da demanda que ficou reprimida durante a primeira e segunda onda da Covid-19, mas, também, pôr as pessoas associarem este momento a um período ideal para se recuperarem sem precisar se deslocar até o trabalho. Mas, para que tudo saia conforme o planejado, a fisioterapeuta alerta para a importância da escolha de um profissional capacitado não apenas para realizar a cirurgia.

“Escolher um profissional capacitado é de extrema importância para o sucesso da cirurgia. Não falo apenas do cirurgião, até por que o pós operatório equivale aos outros 50% desse sucesso. Sempre digo que não adianta fazer uma cirurgia e ficar com sequelas e desconforto depois. Ninguém quer fazer uma cirurgia, principalmente de cunho estético para isso”, ressalta a Nieuma. Nesse sentido, o acompanhamento de um profissional capacitado, aliado às novas técnicas disponíveis no mercado, a exemplo do taping (bandagem mecânica), podem garantir uma recuperação mais rápida e eficiente.  

Segundo a especialista entre as principais vantagens da utilização da bandagem mecânica está a otimização do pós-operatório, reduzindo o tempo de tratamento e quantidade de atendimentos. “Digo que otimiza cerca de 40% do tratamento, pois possui um controle do edema significativo, além da redução da quantidade de fibroses. Além disso, a bandagem controla a dor, dá mais conforto e segurança ao paciente, aumenta a mobilidade (que é um fator importante para uma boa recuperação), como também, caso a cirurgia permita, o paciente pode tomar banho com as fitas aplicadas sem que se perca o seu efeito terapêutico”, destaca. 

O uso do taping é uma técnica terapêutica relativamente nova. Em Salvador começou a ser utilizada entre 2015 e 2017 e Nieuma foi uma das precursoras. Ela explica que antes do surgimento das bandagens no centro cirúrgico, os pacientes de cirurgia plástica, por exemplo, eram encaminhados a fisioterapia com 24 horas ou até cinco dias, com o objetivo de realizar drenagem linfática. “Os pacientes chegavam bastante edemaciados, com muita dor e dificuldade de locomoção. Fora a sensação da pele solta. Realizar drenagem nesse período dava um alívio momentâneo, porém, após algumas horas o edema retornava. Isso justificava, as vezes, a indicação tanto do fisioterapeuta, quanto do médico, de drenagem diariamente. Isso elevava os gastos do paciente durante o pós operatório”, explica a especialista. 

Segundo ela, focar apenas no edema, com drenagem é uma forma incompleta, reduzida e ineficaz de tratar o paciente, uma vez que o reparo tecidual é um processo e que existe outras fases de cicatrização que pode causar sequelas funcionais e emocionais ao paciente. “É preciso reabilitar esse paciente para que ele retorne as suas atividades tanto domésticas quando laborais rapidamente e de forma saudável e funcional”, diz.  

De acordo com a especialista no tratamento convencional, apenas com proposta de drenagem e aparelhos, o paciente chega a fazer de 15 a 20 atendimentos no total e, nos casos em que o paciente apresente fibroses de difícil resolução, pode estender para 30 atendimentos ou o paciente desiste e vai procurar um fisioterapeuta especializado no tratamento de fibroses. “Com essa nova ideia de condução do reparo tecidual, o que inclui a bandagem mecânica, o paciente chega a fazer de 4 a 8 atendimentos de pós operatório a depender da cirurgia e de cada organismo”.  

Ainda de acordo com a fisioterapeuta o melhor momento para iniciar o tratamento com a bandagem é no centro cirúrgico. Pois, segundo ela, neste momento o profissional começa o trabalho ainda no início do processo inflamatório, o que garante um resultado é mais eficiente. Mas, quando por algum motivo não é possível realizar intraoperatório, é importante a avalição do fisioterapeuta e verificar a possível indicação da bandagem. “O tratamento iniciado no centro cirúrgico é mais eficiente. O controle do edema é muito maior, redução da incidência de grandes seromas (coleção organizada de líquido), controle do tecido cicatricial depositado, diminuindo fibroses. Porém, é bom ressaltar que a utilização das bandagens não exclui o uso de cintas e meias, como também, não exclui da necessidade do tratamento pós operatório. A bandagem é um dos recursos desse tratamento”, alerta a fisioterapeuta.  

Com poucas contraindicações, a técnica deve ser evitada em locais com necroses ou qualquer sofrimento do tecido, como por exemplo em cima de feridas abertas ou infecções. “Em caso de pacientes com fragilidade na pele, ressecamento e flacidez acentuada é importante verificar qual tensão será aplicada e se o tecido suporta a bandagem”, explica Nieuma. Mais uma vez ela ressalta a importância da escolha do profissional capacitado, “a bandagem mecânica mal aplicada pode ocasionar lesões na pele, tipo uma queimadura de segundo grau, bastante doloridas, como também deiscência de sutura, dores musculares. A depender do local e do sentido aplicado, na região do pescoço e face, por exemplo, o paciente pode sentir náuseas, tontura e cefaleias (dor de cabeça)”. 

Quanto aos resultados, segundo a fisioterapeuta estes podem ser observados desde o início, quando o paciente relata a sensação de segurança e conforto, redução da dor e mais confiança para realizar os movimentos. “Com relação ao edema, depende muito do tamanho da cirurgia. Mas geralmente no sétimo dia já é possível ver o efeito terapêutico da bandagem, não somente com relação ao edema, mas também, na quantidade de roxidão”.  
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POR: Rita Moraes
Publicado em 18/08/2021