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Ator Mercello Gonçalves Marcello Gonçalves celebra 28 de carreira

Quando a quarentena começou, o ator e diretor Marcello Gonçalves estava dando aula de teatro, produzindo uma peça, gravando a novela “Gênesis”, da Record, e preparando o longa-metragem “Obscuro”, de Alessandro Barcellos. Com o isolamento social, Marcello teve que se virar para manter a serenidade, reorganizar os projetos, continuar trabalhando e assumir as tarefas de casa.

Pai de Antonio, de 11 anos, e Vicente, de 7, o ator pode ser visto atualmente como o vilão “Cara de Cão”,  na reprise de “Êta Mundo Bom”, na TV Globo; e também na série “A Divisão”, no Globoplay, sobre policiais que acabaram com a onda de seqüestros nos anos 1990. Sucesso de público e crítica, a série, com direção de Vicente Amorim, terá continuação em 2021.

 “Só agora estou vendo o Cara de Cão, não tinha assistido na época, pois estava cheio de trabalho. Está sendo muito legal, me surpreendo e aprendo bastante com cada cena”, diz Marcello, que em agosto aparecerá na novela Jesus, até novembro na grade da Record. Gonçalves entrará na segunda fase, no papel do personagem bíblico Eleazar.

Projeto de Alessandro Barcellos, com quem Marcello é sócio numa produtora de cinema, o longa-metragem “Obscuro” será filmado em outubro. Na trama, um grupo de funcionários públicos exerce o poder da corrupção dentro do submundo da política. “Recebi o convite para dirigir e atuar fazendo um dos protagonistas, um desembargador polêmico. Vamos para nosso segundo longa”, comemora.

Morador de Vargem Grande há cinco anos, o carioca de 45 anos busca na meditação seu alicerce para encarar o dia a dia. Sua nova rotina inclui momentos de leitura, pesquisa, brincadeiras com os filhos e muitos afazeres domésticos. “Na zona oeste do Rio encontrei a paz que eu vivenciava nas férias de infância no interior do Rio Grande do Norte. Moro em casa, tenho quintal com plantas e uma cachoeira bem pertinho. Ótimo para criar meus filhos com tranqüilidade e para fica quieto, estudando. Não pretendo sair daqui por nada”, diz. 

Sobre as tarefas da casa, ele diz: “gosto muito da cozinha, um pouco menos do banheiro e acho muito chato varrer a casa. Cozinhar tem a alquimia do tempo e a variação de gostos, cheiros, fora o ato sagrado do fazer e o limpar”, elege. Otimista, Marcello acredita num futuro melhor: “Nada será como antes. O novo normal será um mundo muito mais generoso, no qual o outro passará a ser mais importante, uma vez que o outro é nosso próprio reflexo”, analisa. 

Viciado em fazer o bem, Marcello contribui com doações para a Associação dos Produtores de Teatro (APTR) e para a companhia Parlapatões, que vende máscaras para financiar seu espaço, em São Paulo. “É hora de muito respeito, solidariedade e de ações que gerem muito amor”, diz ele, que está aproveitando o período para reler o perfil do poeta Castro Alves e o livro “Tudo é rio”, de Carla Madeira.

Em 28 anos de carreira, Marcello Gonçalves soma mais de 30 espetáculos teatrais (a estreia foi em 1992, na peça Capitães de Areia), cinco novelas e 29 filmes. Ano que vem, estará no longa “O Último Animal”, do premiado cineasta português Leonel Vieira. O convite veio por conta de “Tropa de Elite 2”, onde fez um miliciano. Tropa bateu recordes de bilheteria e desde então a carreira no cinema e na TV ficaram bem movimentadas. Na produção portuguesa, Marcello faz um sargento da Polícia que trabalha para o chefe do jogo do bicho.

Diferente dos papeis malvados que coleciona, o ator é pai amoroso e atuante com os filhos. Entre momentos com bola, bicicleta, pipa e games, consegue brechas para ler e estudar. “Acabei de assistir Dickinson, um série linda sobre a vida da poetisa americana. Desenvolvo três projetos para o streaming um deles inspirado na série de Emily Dickinson e outros dois ainda em fase de pesquisa”, explica.

Mais sobre o ator

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1974. Faz teatro, cinema e televisão. Entre os principais filmes estão “Tropa de Elite”, “Tropa de Elite 2″, “Assalto ao banco central” e “Não se pode viver sem amor”. Em 2012, estreou como diretor teatral, assinando a montagem do espetáculo “O Maquinário”, com texto de Gzuz Lima, Pablo Bonatho e Washington Felizardo. No teatro, Marcello começou a carreira em “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, com direção de Roberto Bomtempo. Fez “A Mãe”, de Bertold Brecht e direção de Luis Fernando Lobo, “ Aonde Está Você Agora?”, de Regiana Antonini e direção de Rafael Ponzi, e “D’Artagnan e os Três Mosqueteiros”, “Dona Flor e seus dois maridos” e “Romeu e Julieta”, com direção de Pedro Vasconcelos. Em 2014, fez a série da Rede Record “Milagres de Jesus”.

Foi um dos fundadores e Diretor Geral Artístico da Cia de Arte Nova. Dirigiu a peça “Borderline”, que estreou em 2015. Foi um dos destaques em “Êta mundo bom”, em 2016, e na novela “Jesus”, em 2017, ano que também fez seu primeiro trabalho para o cinema português com o filme “O caso J”. Assinou também a direção de outras três peças no teatro, “Cama de Gato”, “Será que a gente influencia o Caetano?” e “O senador”, adaptação da obra Ângelo, do francês Victor Hugo. Em 2019, foi convidado pelo diretor  de cinema português Leonel Vieira para integrar o elenco do filme “O último animal”, esperado para 2021.

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POR: Rita Moraes
Publicado em 02/07/2020