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ACNUR busca apoio urgente para emergência humanitária na Armênia

 

Mais de 93 mil pessoas fugiram para a Armênia desde o dia 23 de setembro. Há relatos de longas filas na fronteira com o Azerbaijão, região marcada por décadas de conflitos. Essas pessoas enfrentam ansiedade extrema em relação ao futuro, preocupadas com a possibilidade de seus filhos não terem acesso à educação. A maioria chegou com poucos pertences e necessita de assistência emergencial urgente, incluindo cobertores, roupas de cama, apoio médico e psicossocial e abrigo imediato. E o número de refugiados deve continuar a crescer. O ACNUR lidera a resposta interagencial aos refugiados, trabalhando com o Gabinete do Coordenador Residente da ONU. Um plano de resposta interagencial está sendo finalizado e será lançado com um apelo financeiro conjunto. É importante que as necessidades de curto, médio e longo prazo sejam consideradas.

As equipes do ACNUR estão no terreno e na fronteira desde o primeiro dia, quando os primeiros grupos de refugiados chegaram, exaustos, assustados e apreensivos quanto ao futuro. Há nove meses, eles vivem sob bloqueio e não sabem o que acontecerá com seus lares que tiveram que deixar para trás ou se poderão retornar. O ACNUR está apoiando o governo armênio com equipamento técnico, incluindo notebooks e tablets para facilitar o registro, e forneceu itens essenciais de ajuda humanitária, como camas dobráveis e colchões para refugiados, enquanto mais itens básicos de ajuda humanitária estão a caminho, com previsão de chegada para este fim de semana. O ACNUR também está aumentando a sua presença no terreno. Na província de Syunik, o parceiro do ACNUR “Missão Armênia” está abrigando idosos vulneráveis que chegaram nos últimos dias.

Os refugiados estão sendo registrados pelo governo em centros de registro na fronteira, embora existam cerca de dez centros humanitários adicionais em outras regiões. Além do registro, esses centros oferecem apoio psicossocial imediato, lanches, áreas lúdicas para as crianças e informações sobre alojamento e outros tipos de assistência. As autoridades estão fornecendo abrigo temporário aos recém-chegados sem familiares na Arménia, incluindo em hotéis, centros sociais e escolas. No entanto, com um número tão grande de chegadas num curto espaço de tempo, centros de emergência adicionais são necessários com urgência.

Embora o governo esteja fazendo esforços consistentes para atender as necessidades que crescem rapidamente com o apoio da comunidade internacional, é necessário apoio financeiro adicional. O ACNUR apela urgentemente à comunidade internacional de doadores para a solidariedade e responsabilidade compartilhada para permitir à Armênia responder a esta emergência humanitária que segue se desenvolvendo pois, à medida que os refugiados continuam a chegar à Armênia, as necessidades aumentam. Diante disso, o ACNUR precisa de apoio para ampliar a assistência humanitária, o que pode ser feito por meio de doações.


A voz dos refugiados

Karen, 37 anos, sua esposa Oksanna, 38 anos, e sua filha Mary, 1 ano, conversaram com Arevig, membro da equipe do ACNUR, na cidade fronteiriça de Goris, no sul da Armênia, onde dezenas de milhares de refugiados chegaram. “Agora não temos nada conosco. Passamos duas noites insuportáveis na estrada para Goris. As crianças estavam com fome, mas não tínhamos pão nem água”, conta Karen. O casal Sergey, 58, e Lilit, 42, chegou à Goris com os nove filhos. O mais velho tem 20 anos, e o mais novo apenas seis meses de idade. “Ficamos quatro dias nas estradas para a Armênia. Não temos ideia do que nos espera depois disso”, disse Sergey.

POR: Rita Moraes
Publicado em 01/10/2023