ConexãoIn

A patética farsa da “renovação”. Artigo do jornalista Alex Ferraz

A notícia a seguir foi a principal manchete do dia 9 de agosto último:

“O Brasil registrou 63.880 mortes violentas em 2017, o maior número de homicídios da história, de acordo com dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Foram 175 assassinatos por dia no ano passado, sete por hora – um aumento de 2,9% em relação à 2016. Os estupros aumentaram 8,4% de um ano para o outro.”

Neste mesmo dia, à noite, era realizado o primeiro debate entre os principais candidatos à presidência da República.

Na tela, as caras que há 20, 30 anos pontilham a vida política nacional. Todos falando em “renovação”.

Um dos candidatos, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, fez uma declaração até mesmo macabra, ao falar que o número de assassinatos no seu estado foi reduzido para “apenas” 3.500 durante sua gestão.

“Apenas”? Trata-se de um número de fazer tremer a população de países verdadeiramente sérios e civilizados.

Nem de longe refiro-me a uma Suíça, por exemplo, onde a média de crimes de morte não chega a 100 por ano. Portanto, não se trata de nenhum trunfo exibir 3.500 assassinatos como uma “vitória”. Não bastasse isso, no dia 26 de junho último, o jornal O Globo noticiava:

“O número de assassinatos na cidade de São Paulo aumentou 42% no mês de maio em relação ao mesmo período do ano passado, informou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) nesta segunda-feira (25). De acordo com o balanço mensal de dados criminas divulgado pela pasta, houve também elevação nos casos de estupro.

No mês passado foram registrados 64 crimes de homicídio doloso (quando há intenção de matar), com 66 vítimas na capital. Em maio de 2017 foram 45 casos, com 50 mortos.”

Corta para o candidato Ciro Gomes, também fazendo o velho e repetido discurso de “saúde, geração de empregos e segurança pública”. Ele foi deputado estadual no Ceará, deputado federal pelo mesmo Estado, que também governou, além de ministro da Fazenda de Itamar Franco e da Integração Nacional no governo Lula, e prefeito de Fortaleza.

Vejamos esta notícia, publicada na Tribuna do Ceará em 4 de maio último:

“O Ceará registrou 1.549 Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLI) do dia 1º de janeiro até a 24 de abril deste ano, segundo dados preliminares da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). O índice corresponde a crimes de homicídio doloso, latrocínio e lesão seguida de morte.

Os números correspondem a uma média de 13,5 mortes por dia no Estado. Apesar dos casos do último mês não estarem totalmente contabilizados pela pasta, o resultado corresponde a 12% a mais do que os quatro primeiros meses de 2017, quando foram registradas 1.354 mortes.”

Isto posto, fica claro que ao longo de 30 anos tendo nas mãos o poder, inclusive no governo federal, Ciro não conseguiu alterar em nada o triste quadro da violência no Ceará, para não falar na pobreza, na miséria absoluta.

Bem, peguei apenas esses dois exemplos para mostrar que aqueles que falam em renovar são os mesmos sob cujo comando, nas últimas décadas, as coisas só pioraram.

Depois de três anos de Lava Jato, com um volume formidável de denúncias de corrupção revelando a torpeza do cenário político brasileiro, é de causar arrepios ver as mesmas caras pateticamente repetindo as mesmas promessas.

E se as repetem há décadas, enquanto também governavam ou legislavam, é porque nada fizeram para acabar com o fosso social.

Artigo do jornalista Alex Ferraz.

POR: Rita Moraes
Publicado em 13/08/2018