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10 de Maio: Dia Mundial do Lúpus

 

Após aprovação de dois novos medicamentos, o tratamento de Lúpus e Nefrite Lúpica (lúpus que envolve os rins) avançou consideravelmente nos últimos anos. Os estudos com anifrolumabe e belimumabe permitiram que os pacientes com lúpus alcançassem maior chance de remissão.

Segundo informações da reumatologista da clínica IBIS, Viviane Machicado, esse processo ocorre devido à presença do anticorpo monoclonal, uma proteína que encontra no corpo e se liga a um tipo de substância, chamada citocina.

“No caso do Anifrolumabe, essa proteína é projetada para tratar um excesso de ativação do interferon, que desempenha um papel essencial na inflamação lúpica. Ele é administrado por infusão intravenosa. Já o Belimumabe, que também é um anticorpo monoclonal, tem como alvo uma proteína que pode ajudar a diminuir o impacto de células anormais que contribuem para a inflamação no lúpus. É administrado por injeção no abdômen, na coxa ou por infusão intravenosa e pode ser utilizado em crianças de 5 anos ou mais, além de ter sido recentemente aprovado- em 2020- para adultos com lúpus com comprometimento renal”, explica.

Apesar desses dois medicamentos já terem sido aprovados e estarem disponíveis no Brasil, o seu acesso ainda é limitado. Isso porque ainda não se encontram disponíveis no Sistema Único de Saúde e nem estão no Rol da ANS, de forma que as operadoras de saúde não são obrigadas a cobrir. Outro medicamento aprovado recentemente pela Agência América, mas que ainda não está disponível no Brasil, é a voclosporina. O primeiro medicamento oral aprovado pela Federal Drug Administration (FDA) para nefrite lúpica, que funciona ajudando a parar as células que causam inflamação e protegendo os rins de danos graves.

Esses três medicamentos são indicados principalmente para pacientes com lúpus e envolvimento renal e aqueles com sintomas graves de lúpus sistêmico, que não respondem aos tratamentos convencionais e podem ser mais eficazes e menos invasivos do que os tratamentos convencionais, oferecendo uma nova esperança para pacientes com lúpus, além de serem considerados uma opção de tratamento mais específica e direcionada, que visam aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente, com menos efeitos colaterais.

“Depois de quase 60 anos sem ter uma nova terapia aprovada para o lúpus, além dos glicocorticoides, da hidroxicloroquina e outros imunossupressores, que salvam vidas mas também têm efeitos colaterais pesados, ter três outras opções de tratamento aprovadas nos últimos dois anos traz esperança para esta doença autoimune que pode levar a risco de morte”, enfatiza Dra. Viviane.

De maneira geral, esses novos medicamentos são considerados mais direcionados e específicos do que as terapias convencionais, podendo trazer resultados mais efetivos e menos efeitos colaterais. No entanto, é importante lembrar que o tratamento ideal para o lúpus deve ser individualizado e discutido com o médico responsável, levando em conta a gravidade do quadro clínico e as necessidades específicas de cada paciente.

Dra. Viviane Machicado é reumatologista na clínica IBIS – Salvador, pertencente ao Grupo CITA (Centros Integrados de Terapia Assistida), referência em tratamentos de doenças autoimunes no Brasil e está disponível para entrevistas sobre “Lúpus e tratamentos”.

 

POR: Rita Moraes
Publicado em 08/05/2023