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Artigo: Professor de Fuqua diz que Inteligência Artificial precisa do poder intelectual humano

 

As máquinas impulsionadas por IA se destacam em certas tarefas, mas o julgamento humano continua crucial em suas aplicações mais críticas. A avaliação é do professor Saša Pekeč, da Duke Fuqua School of Business, Escola de Negócios da Duke University, nos Estados Unidos.

 

“A IA vai te ajudar na tomada de decisões. Ela não vai substituir seu cérebro”, diz o professor Saša Pekeč.

 

Em uma palestra na página do LinkedIn da Fuqua, Pekeč explicou por que as limitações inerentes à IA tornam o pensamento crítico dos gestores e dos usuários finais ainda mais necessário para evitar as armadilhas dos “resultados binários” e do “viés algorítmico”, ao mesmo tempo em que se aproveita ao máximo de uma tecnologia que pode revolucionar os negócios e a vida digital dos consumidores.
Eficiência das Máquinas

 

A chave para o salto da IA para um grande público é o crescimento exponencial dos dados disponíveis e do poder de processamento, afirma Pekeč. Isso, combinado com a inovação científica, permitiu que a IA generativa trouxesse a inteligência artificial para as massas, “semelhante à maneira como a busca do Google revolucionou o acesso ao conteúdo disponível na Internet”, diz.

 

Os computadores têm sido mais eficientes do que os humanos em “tarefas de otimização e previsão claramente definidas há pelo menos um quarto de século”, afirma Pekeč.

 

Considerando a publicidade digital direcionada, as máquinas podem decidir quais anúncios exibir para um usuário específico em milissegundos. “Nenhum humano pode fazer isso, mas as máquinas são muito boas nisso”, destaca.

 

Além disso, os avanços em aprendizado de máquina e IA permitem melhorias significativas em ambientes que dependem de avaliações qualitativas, como recursos humanos, ressalta o professor.

 

“Tradicionalmente, a taxa de sucesso do RH na seleção do candidato certo para uma vaga de emprego era de cerca de 50%, mas nos últimos dez anos, as ferramentas de análise de RH que utilizam dados não estruturados melhoraram significativamente a qualidade das decisões na contratação, planejamento de carreira e gestão de talentos”, aponta.

 

Capacitando Gerentes com IA

 

“Ficar longe da IA não é uma opção”, destaca Pekeč. Ele acrescentou que as empresas precisam abraçar a tecnologia para se manterem competitivas. Embora ainda existam algumas barreiras — como os altos custos iniciais para acesso e processamento de dados — Pekeč diz que a tecnologia democratizou a maneira como os gestores podem entender processos e gerenciar pessoas com a expertise técnica.

 

“A IA generativa agora está superando as barreiras de jargão técnico e expertise”, afirma Pekeč, ao nivelar o campo de jogo entre gestores e suas equipes de tecnologia.

 

Os gestores podem utilizar a IA generativa para entender o que pode e o que não pode ser feito e podem se comunicar melhor com seus engenheiros de software e analistas de dados, destaca o professor.

 

Para ele, a maior melhoria da IA generativa pode estar na codificação. Contanto que os gestores saibam fazer as perguntas certas, eles podem gerar o código para resolver um problema específico. “A linguagem de programação mais quente é a nossa”, afirma.

 

Riscos e Limitações

 

A IA está “ansiosa para agradar”, diz Pekeč. A máquina sempre apresentará uma resposta, não importa quão confiante seu algoritmo esteja, e a resposta é binária, indiferente às nuances.
“Ela nunca dirá: ‘Estou 55% confiante de que esta é a resposta correta'”, afirma Pekeč. “Isso pode levar a IA a amplificar resultados extremos, o que pode ser particularmente problemático se associarmos isso à incapacidade da IA de avaliar a veracidade e a qualidade dos dados de treinamento. Isso é especialmente preocupante quando a sabedoria das massas se torna o veículo da desinformação, afirma o professor.

 

“Apenas porque o conteúdo é produzido em massa, não significa que seja confiável”, diz.

 

Outra limitação da IA é que ela olha para o passado, limitada pelos dados aos quais tem acesso. “Digamos que estamos em 2019 e temos as ferramentas de IA de hoje”, diz Pekeč. “Qual ferramenta de IA poderia prever que uma pandemia global ocorreria dentro de um ano? Com todos os seus impactos na economia global e na humanidade? Você pode ver como a IA, por padrão, tem um ponto cego quando se trata de fenômenos até então desconhecidos”, ressalta.

 

Pekeč diz que outro risco de confiar em ferramentas de IA é o viés algorítmico. Todos os métodos de análise de dados reduzem a incerteza em suas conclusões com mais padrões e semelhanças nos dados, então o sistema que visa minimizar riscos pode optar por recomendações mais “comuns” — para as quais há muitos dados semelhantes — e discriminar contra as menos comuns.

 

“Isso poderia levar a preconceitos e discriminação contra candidatos excepcionais, mas ‘incomuns’, em contratações, por exemplo”, afirma Pekeč.
As pessoas devem estar cientes desses riscos, e o pensamento crítico é essencial ao confiar em recomendações de IA para a tomada de decisões, disse Pekeč.

 

Pensamento Crítico na Tomada de Decisões

 

Pekeč destaca que, assim como com qualquer outro “novo objeto brilhante”, as pessoas precisam saber o que estão tentando alcançar com a IA.

 

“Você não usa uma tecnologia só porque todo mundo está usando. Isso seria uma receita para o desastre. É preciso entender as limitações, pontos cegos e armadilhas”, diz.

 

Além disso, compreender as razões por trás de qualquer recomendação de IA é fundamental para poder confiar nela. “Suponha que você vá ao seu exame físico anual e seu médico — com base em uma análise de IA dos dados — diga: ‘Olha, você precisa fazer uma cirurgia cerebral agora mesmo. Você provavelmente gostaria de clareza sobre por que a máquina está recomendando um determinado curso de ação”, destaca.

 

Pekeč acredita que a IA é “um divisor de águas”, a manifestação mais recente e poderosa dos benefícios da revolução digital.

 

“No entanto, uma característica distintiva da boa tomada de decisão é a capacidade de pensar criticamente, reconhecer nuances e identificar a verdadeira expertise, resultando em ações que às vezes vão contra a sabedoria comum”, diz Pekeč. “Essa habilidade é mais importante do que nunca e continua sendo crucial ao utilizar a IA para potencializar nossa tomada de decisões.”, afirma.

 

Esta história não pode ser republicada sem permissão da Fuqua School of Business da Universidade Duke. Por favor, entre em contato com bruno.saviotti@viveiros.com.br para informações adicionais.

 

Sobre a Duke Fuqua School of Business
A Duke Fuqua School of Business é uma instituição privada localizada em Durham, Carolina do Norte, considerada pela Bloomberg como uma das principais escolas de negócios do mundo. Conquistou grande relevância ao trazer lives e pesquisas sobre temas que antecipam questões da economia mundial, de negócios, das finanças, do marketing, dentre outras temáticas.
Com grande renome internacional, tem proporcionado a seus egressos a oportunidade de aperfeiçoamento de suas competências, agregando técnicas e metodologias inovadoras a seus currículos e ampliando sua visão sobre as vantagens competitivas e a carreira no mundo dos negócios.

POR: Rita Moraes
Publicado em 12/06/2024