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Artigo: Karina Calandrin, coordenadora de projetos do Instituto Brasil-Israel (IBI), doutora em Relações Internacionais e em questões do Oriente Médio

 

A semana teve início com dois acontecimentos importantes no contexto do Oriente Médio: a morte de Ebrahim Raissi, presidente do Irã, em um acidente de helicóptero, e a possível emissão de mandados de prisão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e três líderes do grupo terrorista Hamas. Sobre tais fatos, Karina Calandrin, coordenadora de projetos do Instituto Brasil-Israel (IBI) e doutora em Relações Internacionais e em questões do Oriente Médio, comenta:

 

 

“A morte do presidente do Irã certamente teria implicações profundas tanto internamente quanto nas relações exteriores do país. Internamente, é provável que haja uma disputa intensa pelo poder, dada a atual instabilidade política e os desafios significativos de governança que o país enfrenta. A morte de uma figura central poderia agravar essas tensões, potencialmente levando a confrontos entre diferentes facções políticas e militares que buscam consolidar o poder ou influenciar a direção futura do país.

Já no cenário internacional, a reação em Israel e nos Estados Unidos seria de particular interesse. A relação entre o Irã e Israel continua extremamente tensa, com o Irã frequentemente expressando hostilidade aberta e Israel percebendo o Irã como uma ameaça significativa devido ao seu programa nuclear e ao apoio a grupos militantes anti-Israel. A morte do presidente iraniano poderia alterar as dinâmicas de poder dentro do Irã de maneiras que poderiam tanto esfriar quanto inflamar essas tensões”, pondera Karina.

 

Quanto às relações entre Irã e EUA, que têm sido caracterizadas por hostilidade e desconfiança mútua, Karina avalia: “a liderança dos EUA, como indicado em declarações anteriores, tem mostrado apoio a movimentos dentro do Irã que buscam maior liberdade e direitos humanos, refletindo um interesse contínuo em influenciar mudanças positivas no país. Uma mudança na liderança iraniana poderia oferecer uma nova oportunidade para reavaliação das relações, dependendo de quem assume o poder e de suas inclinações políticas.”

Mais além, destaca Karina, a morte de uma figura política de alto nível como o presidente poderia ser vista como um momento crítico que testaria a capacidade do Irã de manter a estabilidade enquanto lida com a pressão interna e externa. “A forma como o Irã navega por essa transição poderia ter implicações duradouras para a sua posição no cenário global e para a estabilidade regional no Oriente Médio.”

Pedidos de prisão dos líderes do Hamas e de Netanyahu geram reações

Com relação à possível emissão de mandados de prisão pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) para Benjamin Netanyahu, Primeiro-Ministro de Israel, e três líderes do Hamas, ela tem suscitado amplas reações e possíveis implicações significativas, na avaliação de Karina, do IBI.

“Internamente em Israel, a reação tem sido fortemente negativa, com declarações oficiais condenando as ações do TPI como injustas e viés contra Israel. Autoridades israelenses, incluindo Netanyahu, têm mobilizado apoio internacional para contestar a legitimidade e as ações do TPI nesta matéria. Há uma preocupação significativa de que, se os mandados forem emitidos, isso possa limitar a capacidade de viagem dos indivíduos afetados e aumentar as tensões internacionais”.

No que tange ao Hamas, diz Karina, “os líderes visados pelos mandados também reagiram negativamente, acusando o TPI de parcialidade e de ignorar as realidades do conflito israelense-palestino. Esses mandados, se emitidos, poderiam complicar ainda mais as já tensas relações entre Israel e Palestina, potencialmente intensificando conflitos ou influenciando futuras negociações de paz.”

Globalmente, esses desenvolvimentos são vistos com uma mistura de apoio e preocupação. Alguns países e organizações veem os possíveis mandados como um passo necessário para a responsabilização por violações dos direitos humanos, enquanto outros veem como uma politização do TPI.

“A situação é complexa e continua evoluindo, com significativas implicações para a diplomacia internacional e a estabilidade regional no Oriente Médio”, finaliza Karina.

POR: Rita Moraes
Publicado em 21/05/2024