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Após prejuízo, Grupo Mater Dai vende participação no Complexo de Saúde do Pará

 

O Grupo Mineiro de Hospitais Mater Dei venderá a totalidade da sua participação (70%) do capital social do Complexo de Saúde Norte (CSN), controladora integral dos negócios do Hospital Porto Dias, em Belém, no Pará. Segundo fato relevante divulgado, o preço de aquisição, a ser pago na data de fechamento da operação, será de R$ 400 milhões em dinheiro, R$ 10 milhões em dividendos a serem recebidos, acrescidos do retorno de 27.272.728 ações da própria companhia.

“Adicionalmente a esses valores relativos à venda, durante o período em que a CSN foi controlada, a companhia teve um efeito positivo de caixa de aproximadamente R$180 milhões, entre dividendos e aproveitamento fiscal pela incorporação gerado pela compra”, destacou a companhia no documento. Segundo o Mater Dei, o objetivo é reforçar a disciplina financeira da companhia, ao revisar o portfólio e fortalecer a posição de caixa. A operação ainda depende de condições precedentes, incluindo aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e a aprovação dos acionistas em assembleia.

“O valor representa um pouco mais da metade dos R$ 800 milhões pagos ao Porto Dias em 2021. Segundo o CEO da empresa, a devolução do hospital é motivada pela pressão das operadoras, que passaram a exigir prazos de recebimento maiores”, aponta a Genial Investimentos. Também em repercussão, o Itaú BBA avaliou que enxerga “melhores tendências de fluxo de caixa à frente, mas com uma grande mudança na trajetória de expansão”. Além disso, não vê prêmio substancial na avaliação implícita. O banco recorda os desafios do setor hospitalar diante de pressão da maioria dos planos de saúde, e assim, a empresa teria um balanço “mais confortável para os projetos e outras potenciais aquisições”.

 

O CEO do Mater Dei, José Henrique Salvador, disse que, no preço certo, a rede é compradora de ativos que estão à venda no mercado, num momento em que diversos outros players do setor estão com alavancagem elevada e precisando levantar capital.

Com endividamento abaixo de 2 vezes o EBITDA ao fim do primeiro trimestre, aquisições nos hubs onde já atua – essencialmente Minas Gerais (região metropolitana de BH e Uberlândia), Salvador e Goiânia – podem ser feitas com capital próprio, enquanto movimentos mais “transformacionais”, para entrar em outras praças, podem ser feitos e parceria.

No fato relevante em que comunicou a venda do Porto Dias, o Mater Dei reforçou o posicionamento:

“A operação reforça a disciplina financeira da companhia, através do ajuste de portfólio, em um momento de desafios do setor, diminuindo a exposição a riscos e fortalecendo a posição de caixa com uma melhora no contas a receber, capital de giro e endividamento da companhia. O Mater Dei continua avaliando oportunidades de crescimento orgânico e inorgânico, em linha com a sua estratégia de expansão nacional.”

POR: Rita Moraes
Publicado em 02/06/2024